2002
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José nogueira dos reis

 José Nogueira dos Reis - Secam as fontes e os rios, ardem as searas e a nossa casa e as árvores nuas amaldiçoam o céu, sem sabermos porquê. Morrem os jovens antes de se amarem e os poetas com os poemas inacabados e as crianças olhando espantadas para o céu, sem saberem porquê. Um vento noturno deixou insepultos ventres e seios e desejos de maternidade nunca realizados, e secou risos e cantares subindo para o céu, sem sabermos porquê. Andam as guerras pelo mundo: somente possuímos uma voz, uma voz e essa voz não se calará e nós sabemos porquê! Tomaz Kim, Campo de Batalha    Secam as fontes e os rios,
  ardem as searas e a nossa casa
  e as árvores nuas amaldiçoam o céu,
  sem sabermos porquê.

  Morrem os jovens antes de se amarem
  e os poetas com os poemas inacabados
  e as crianças olhando espantadas para o céu,
  sem saberem porquê.

  Um vento noturno deixou insepultos
  ventres e seios e desejos de maternidade
  nunca realizados,
  e secou risos e cantares subindo para o céu,
  sem sabermos porquê.

  Andam as guerras pelo mundo:
  somente possuímos uma voz, uma voz
  e essa voz não se calará
  e nós sabemos porquê!

Tomaz Kim, Campo de Batalha  

 

 

 

 

José Nogueira dos Reis - BIOGRAFIAS Muitos foram os intervenientes em toda a história da Primeira Guerra Mundial, salientando-se os russos, os franceses, os americanos, os ingleses e os austro-húngaros. Em baixo estão apresentadas algumas, das suas biografias (por ordem alfabética). Allenby, Edmund Henry Hynman (1861-1936) - Marechal inglês, comandante das forças britânicas da Palestina em 1917-1918, tomou Jerusalém e Damasco. Alto-comissário no Egipto (1919 a 1925), coube-lhe aplicar o Tratado anglo-egípcio de 1922. Brussilov, Aleksei (1853-1936) - General russo que ficou célebre pela sua ofensiva na Galícia (1916). Generalíssimo em 1917, aderiu ao regime dos soviéticos. Clemenceau, George (1841-1929) - Político orador e escritor francês. Foi um dos chefes do Partido Radical e fez parte das várias Câmaras, combatendo a política colonial e movendo duras campanhas, que provocaram a queda de vários gabinetes. Foi cognominado o Tigre, pelo seu espírito combativo, tornando-se em 1906 presidente do Conselho, cargo que ocupou até 1909. No início da Primeira Guerra Mundial ocupava o lugar de presidente da Comissão do Exército, tendo demonstrado um patriotismo inquebrável e propondo a formação de um governo nacional que pudesse conduzir a França à vitória. Chamado de novo à presidência do Conselho em 1917, acumulou também o cargo de ministro da Guerra, actuando com uma grande energia e contribuindo bastante para a derrota da Alemanha e dos seus aliados. Foi chamado o Pai da Vitória, sendo-lhe concedido o título de benemérito da Pátria. Participou nas negociações do Tratado de Versalhes, nas quais adoptou uma posição intransigente para com a Alemanha, a fim de evitar o perigo de uma nova ameaça para a França. Após a sua derrota nas eleições presidenciais de 1920 abandonou a vida política. Ferdinando, Francisco (1863-1914) - Príncipe e arquiduque da Áustria-Hungria. Era sobrinho do Imperador Francisco. Casou com a condessa Sofia Choteck contra a vontade do tio. As suas ideias políticas nub


  Muitos foram os intervenientes em toda a história da Primeira Guerra Mundial, salientando-se os russos, os franceses, os americanos, os ingleses e os austro-húngaros. Em baixo estão apresentadas algumas, das suas biografias (por ordem alfabética).


   Allenby, Edmund Henry Hynman (1861-1936) - Marechal inglês, comandante das forças britânicas da Palestina em 1917-1918, tomou Jerusalém e Damasco. Alto-comissário no Egipto (1919 a 1925), coube-lhe aplicar o Tratado anglo-egípcio de 1922.


   Brussilov, Aleksei (1853-1936) - General russo que ficou célebre pela sua ofensiva na Galícia (1916). Generalíssimo em 1917, aderiu ao regime dos soviéticos.


   Clemenceau, George (1841-1929) - Político orador e escritor francês. Foi um dos chefes do Partido Radical e fez parte das várias Câmaras, combatendo a política colonial e movendo duras campanhas, que provocaram a queda de vários gabinetes. Foi cognominado o Tigre, pelo seu espírito combativo, tornando-se em 1906 presidente do Conselho, cargo que ocupou até 1909. No início da Primeira Guerra Mundial ocupava o lugar de presidente da Comissão do Exército, tendo demonstrado um patriotismo inquebrável e propondo a formação de um governo nacional que pudesse conduzir a França à vitória. Chamado de novo à presidência do Conselho em 1917, acumulou também o cargo de ministro da Guerra, actuando com uma grande energia e contribuindo bastante para a derrota da Alemanha e dos seus aliados. Foi chamado o Pai da Vitória, sendo-lhe concedido o título de benemérito da Pátria. Participou nas negociações do Tratado de Versalhes, nas quais adoptou uma posição intransigente para com a Alemanha, a fim de evitar o perigo de uma nova ameaça para a França. Após a sua derrota nas eleições presidenciais de 1920 abandonou a vida política.


   Ferdinando, Francisco (1863-1914) - Príncipe e arquiduque da Áustria-Hungria. Era sobrinho do Imperador Francisco. Casou com a condessa Sofia Choteck contra a vontade do tio. As suas ideias políticas nunca chegaram a ser postas em prática pois, foi assassinado em Sarajevo, na Bósnia, por um estudante de nome Jarilo Prinzip. Este incidente é apontado como uma das causas próximas do desencadear da Primeira Guerra Mundial.


   Foch, Ferdinand (1851-1929) - Marechal francês e importante figura da Primeira Guerra Mundial. Em 1914 tem a seu cargo o 20º corpo de exército, passando depois a comandar o 9º exército. Em 1916 é escolhido para comandante dos exércitos do Norte, no mesmo ano passa a chefe do Estado-Maior do Exército francês e em Abril de 1917 é nomeado comandante-chefe das forças aliadas. Participa nas batalhas do Marne e obtém êxitos notáveis nas de Charmes, Aisne, Vesle, Saint-Gond, e na ofensiva do Somme. Em Novembro de 1918 recebe os plenipotenciários alemães que, a 11 desse mês, assinaram o Armistício. Autor de: Des Principes de la Guerre e De la conduite de la Guerre.


   Franchet D'Esperey, Louis (1856-1942) - Marechal da França que comandou o 1º corpo de 1914. Comandante-chefe das forças aliadas do Oriente (1918), rompeu a frente da Macedónia (Setembro), forçou os búlgaros a pedirem o armistício e levou os aliados até ao Danúbio e de Belgrado à fronteira romena. Inspector das forças da África do Norte de 1923 a 1931.


   Guilherme II (1859-1941) - Imperador da Alemanha que afastou Bismark, governando ele próprio o país. A sua política externa, extremamente agressiva, conduz ao bloqueio alemão por parte de Inglaterra, França e Rússia, aos quais declarou guerra em 1914. É derrotado, o que o leva a renunciar ao trono. Retira-se para a Holanda.


   Hindenburg, Paul von Benekendorf und von (1847-1934) - Militar e político alemão que ficou célebre na história da Primeira Guerra Mundial. Combateu na guerra franco-prussiana em 1871. Estando no comando do oitavo exército alemão, infligiu uma pesada derrota às forças russas, em Tannenberg, tendo-lhe por isso sido atribuído o título de marechal-de-campo e o título de comandante da frente oriental. De 1919 até à data em que faleceu, foi presidente da República. Em 1933, Hindenburg, a conselho de um político seu amigo, de seu nome Von Papen, convidou Hitler para chanceler.


   Jellicoe, John (1859-1935) - Almirante inglês, especialista em artilharia naval. Almirante da frota do Atlântico, comandou os encontros do mar do Norte e na batalha da Jutlândia (1914-1916). Foi primeiro-lorde do Almirantado e governador da Nova Zelândia.


   Joffre, Joseph (1852-1931) - Marechal francês, figura destacada da Primeira Guerra Mundial. Obteve a decisiva vitória no Marne em 1914 e iniciou depois uma guerra de desgaste contra os alemães, como comandante supremo dos exércitos franceses. Em 1917, foi enviado em missão aos Estados Unidos, preparando o envio de tropas americanas para a França.


   Lloyd, George David (1863-1945) - Político britânico de origem galesa, foi deputado a partir de 1890 e representou a ala esquerda do partido liberal, de que se tornou líder. No Parlamento, defendeu o nacionalismo galês e o não-conformismo religioso, combateu o capitalismo e o imperialismo (durante a guerra dos bôeres), e mostrou-se partidário de reformas avançadas, que a sua designação para o posto de ministro das Finanças lhe permitiu realizar (1908-1915). Em 1911 fez votar uma lei sobre os seguros sociais e viu o seu projecto de aumento do imposto sobre a renda e as sucessões chocar-se com violenta oposição dos conservadores. Respondeu com uma lei parlamentar que restringiu os poderes dos lordes. Durante a Primeira Guerra Mundial, desempenhou o papel preponderante de ministro das Munições (1915-1916), e, depois da Guerra, desempenhou o papel de chefe de Governo (1916-1922). Conduzido com energia o comando da guerra, reforçou a coordenação com os Aliados, impondo ao Estado-
-Maior a unidade de comando sob as ordens de Foch (1918) e mostrou-se hábil negociador quanto ao tratado de Versalhes. Teve grande popularidade desde então, mas a sua aliança com os conservadores dividiu definitivamente o partido liberal, cuja decadência se acelerou. Reconhecendo o Estado Livre da Irlanda em 1921, Lloyd George pôs fim à crise irlandesa, mas abandonado pelos seus partidários conservadores, teve que se demitir.


   Ludendorff, Erich von (1865-1937) - Militar alemão, considerado o melhor estratega do seu tempo, serviu no Estado-Maior e chefiou as operações na Primeira Guerra Mundial. No Parlamento alemão dos anos 20 viria a defender o nacional-socialismo e a exterminação dos judeus.


   Orlando, Vittorio Emanuele (1860-1952) - Político italiano, várias vezes ministro de 1903 a 1917, tornou-se presidente do conselho de Outubro de 1917 a Junho de 1919. Participou na Conferência de Paz (Abril-Maio de 1919) e desempenhou uma importante função na elaboração do pacto da S.D.N. Em seguida opôs-se a Mussolini.


   Pétain, Philippe (1856-1951) - Marechal da França. Encontrava-se em vésperas de passar à reserva como coronel quando rebentou a Primeira Guerra Mundial. A partir de Fevereiro de 1916, vê-se na incumbência de defender Verdun, missão que desempenha heroicamente. Em 1917 é nomeado comandante chefe dos exércitos do Norte e do Nordeste e consegue, em circunstâncias desfavo-
ráveis e penosas para o seu exército, levantar a moral dos homens e conduzir a ofensiva geral na Primavera de 1918. No mesmo ano recebe o bastão de marechal de França. Em 1925, brilha nas campanhas de Marrocos contra Abd-el-Krim. Em 1940 assume a chefia do Governo e, confrontado com o caos em que se encontrava o Exército francês, resolve capitular em Julho de 1940 assinando um armistício com os alemães. À cabeça do governo colaboracionista de Vichy, cedeu às exigências alemães. Em 1944, foi preso pelos Aliados, e De Gaulle fê-lo julgar sob a acusação de traição. Morreu na prisão.


   Wilson, Thomas Woodrow (1856-1924) - Esta-
dista norte-americano, advogado, presidente da universidade de Princeton (1902), tornou-se o líder do partido democrata. Governador de New Jersey (1910), foi eleito, em 1912, presidente do E.U.A. à guerra junto dos Aliados. Reeleito, Wilson esforçou-se por prolongar a paz na Europa, a partir de 1919, nela aplicando um sistema de segurança colectiva. Todavia, apesar de ter sido o criador da Sociedade das Nações, não conseguiu obter a adesão dos seus concidadãos ao seu ideal. Em 1921, teve de deixar o poder aos republicanos.

CONFERÊNCIAS DE PAZ


  No período pós-guerra, várias conversações de paz foram feitas, mas, a atitude dos E.U.A., o desentendimento entre as potências aliadas e as revoluções na Europa central retardaram e complicaram-nas. Das várias conversações de paz feitas, salientam-se as seguintes:


   

  • TRATADO DE VERSALHES

  Tratado assinado no dia 28 de Junho de 1919 entre as potências aliadas vencedoras da Primeira Guerra Mundial e a Alemanha derrotada que, além de pesadas indemnizações, teve que se submeter a condições extremamente duras, tais como: a cessão da Alsácia-Lorena à França, da Alta Silésia, da Prússia Ocidental, de Poznan, de Hiucin, de Memel à Polónia, e Eufen e Malmédy à Bélgica; a cessão à recém criada Sociedade das Nações da região industrial do Sarre; a conversão de Dantrig (actual Gdansk) em cidade livre; a entrega das colónias em regime de mandato à Bélgica, França, Grã-Bretanha, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Japão; a limitação dos efectivos do exército a 100.000 homens; a proibição de fabricar material bélico; a eliminação do Estado-Maior; a ocupação do Reno, pelas forças aliadas, por um período de 15 anos.

   

  • TRATADO DE SAINT-GERMAIN-EN-LAYE

  Tratado assinado no dia 10 de Setembro de 1919 entre os Aliados e a Áustria, ratificando o desmembramento da antiga monarquia dos Habsburgos, que ficou reduzida às zonas em que se falava o alemão. A Itália ficou com o Tirol, a Ístria e o Trieste, assim como algumas ilhas dálmatas, a Jugoslávia com a Dalmácia, parte da Carníola e da Coríntia, e a Polónia com a Galícia.

   

  • TRATADO DE NEUILLY

  Tratado assinado no dia 27 de Novembro de 1919 em que a Bulgária reconhecia o novo Estado da Jugoslávia e cedia à Grécia a região da Trácia.

   

  • TRATADO DE TRIANON

  Tratado assinado no dia 4 de Junho de 1920, forçava a Hungria a reduzir o seu exército a 35.000 homens e a ceder território à Jugoslávia, Checoslováquia e Roménia.

   

  • TRATADO DE SÈVRES

  Tratado assinado no dia 10 de Agosto de 1920, levava a Turquia a ceder grandes territórios à Grécia, a conceder a autonomia ao Curdistão, a independência à Arménia e a renunciar vastas parcelas de território a favor do Egipto, da Síria, da Arábia e da Palestina.

   

  • TRATADO ITÁLO-JUGOSLAVO

  Tratado assinado no dia 12 de Novembro de 1920 em que a Dalmácia passava a pertencer à Jugoslávia e Fiume se convertia em estado livre.

   

  • TRATADO DE LAUSANNE

  Tratado assinado no dia 24 de Julho de 1923 entre a Turquia e os Aliados, veio substituir o Tratado de Sèvres. Suprimiu as capitulações e regulamentou a passagem de navios nos Estreitos.

   

  • TRATADO DE BREST-LITOVSKI

  Tratado assinado no dia 3 de Março de 1918 entre a Alemanha e os Russos, teve o papel de por fim à participação russa na 1ª Guerra Mundial.

   

  • SOCIEDADE DAS NAÇÕES (SDN)

  Organismo político criado entre os Estados signatários do Tratado de Versalhes, em 1920 e implantado no ano seguinte na cidade Suíça de Genebra. Tinha como objectivo promover a cooperação entre as nações para garantir a paz e a segurança mundial. Era constituída por dois órgãos deliberativos: o Conselho e a Assembleia Geral. Tinha um carácter restrito, agrupando as potências coloniais imperialistas, o que fez com que degenerasse uma assembleia de repartição de territórios. Mostrou-se incapaz de resolver os conflitos mais graves que conduziram à Segunda Guerra Mundial. Foi oficialmente dissolvida após a derrota do Eixo e substituída pela ONU - Organização das Nações Unidas -, em 1946.


  CRONOLOGIA


   1914

28 de Junho - O arquiduque Francisco Ferdinando e a esposa são assassinados em Sarajevo.

23 de Julho - A Sérvia responde ao exigente ultimatum da Áustria-Hungria cedendo em quase todos os pontos.

28 de Julho - A Áustria-Hungria declara a guerra.

30 de Julho - Mobilização geral russa.

31 de Julho - Ultimatum alemão à Rússia e à França.

1 de Agosto - Mobilização geral na Alemanha e na França. A Alemanha declara guerra à Rússia.

2 de Agosto - Ultimatum alemão à Bélgica, país neutral.

3 de Agosto - Declaração de guerra da Alemanha à França. Declaração de neutralidade da Itália.

4 de Agosto - Invasão da Bélgica pelo exército alemão. A Inglaterra declara guerra à Alemanha.

18 de Agosto - Ofensiva alemã contra a Bélgica. Ofensiva russa contra a Prússia Oriental.

Setembro - O exército francês, comandado por Joffre, trava no Marne o avanço alemão, ao mesmo tempo que a frente ocidental se estabiliza numa guerra de trincheiras. Hindenburg derrota os russos em Tannenberg.

Outubro - A Turquia junta-se aos impérios centrais.


   1915

Fevereiro - Ofensiva aliada, infrutífera.

Maio - A Itália junta-se aos aliados e ataca a Áustria-Hungria.

Outubro - A Bulgária junta-se aos impérios centrais. Desembarque aliado em Salónica.

Novembro - A Sérvia é completamente derrotada na planície de Kosovo Polje.


   1916

Fevereiro - Ofensiva alemã em Verdun.

Junho - A Rússia ocupa a Bucovina e a parte oriental da Galícia, mas sofre perdas enormes (2 milhões de homens) na prolongada ofensiva.

Julho - Os britânicos iniciam a ofensiva do Somme e sofrem baixas tremendas.

Agosto - A Roménia junta-se aos aliados. Hindenburg e Ludendorff tomam o poder na Alemanha.

Dezembro - Lloyd George é nomeado primeiro-ministro do governo britânico e coligação.


   1917

31 de Janeiro - A Alemanha inicia a guerra submarina contra a navegação mercante.

Março - Início da Revolução Russa.

6 de Abril - Os Estados Unidos da América declaram guerra à Alemanha.

Outubro - A Alemanha ajuda a Áustria-Hungria na guerra contra a Itália e vence em Caporetto.

Novembro - Na Rússia triunfa a «Revolução de Outubro». Em França, Clemenceau sobe ao poder.


   1918

3 de Março - Tratado de paz de Brest-Litivsk entre a Alemanha e os soviéticos. A Alemanha lança a sua ofensiva na frente oriental.

Maio - Tratado de paz dos impérios centrais com a Roménia.

Julho - O contra ataque aliado, comandado por Foch, detém os alemães no Marne.

8 de Agosto - As linhas alemãs são rompidas no Somme.

29 de Setembro - A Bulgária rende-se.

30 de Outubro - A Turquia rende-se.

11 de Novembro - A Alemanha assina o armistício.


   1919

28 de Junho - A Alemanha assina o tratado de Versalhes (perde a Alsácia-Lorena, o norte de Schleswig, a Alta Silésia e as colónias). A Áustria-Hungria é dividida em estados independentes.

10 de Setembro - É assinado o tratado de Saint-Germain-en-Laye.

27 de Novembro - É assinado o tratado de Neuilly.


   1920

4 de Junho - É assinado o tratado de Trianon.

10 de Agosto - É assinado o tratado de Sévres.

12 de Novembro - É assinado o tratado Itálo-Jugoslavo.


 




  MAPAS


  

 

As alianças europeias e os principais pontos de tensão antes da I Guerra Mundial

 

 


 

 

As frentes da Guerra - para além das principais áreas onde se desenrolou o conflito, pode-se também observar a localização das principais batalhas terrestres e marítimas

 

 


 

A Europa e o Médio Oriente após a guerra


 



 

José Nogueira Reis


  DESENROLAR DA GUERRA


   1914 - O FRACASSO DO PLANO ALEMÃO

  Violando a neutralidade estabelecida pela Bélgica, os alemães inicialmente apoderaram-
-se de Liège, de 7 a 16 de Agosto, depois de Charleroi, de 21 a 23 de Agosto, e de Mons, em 23 de Agosto. Em seguida, ganharam a batalha nas fronteiras francesas, principalmente na Lorena (Morhange) e nas Ardenas, de 20 a 23 de Agosto, forçando depois os exércitos franceses e o britânico de French a baterem em retirada, primeiro até ao Aisne e depois para o sul do Marne. Mas, de 6 a 13 de Setembro, Joffre, auxiliado por Gallieni, governador de Paris, conseguiu, com a sua vitória no Marne, deter a invasão, o que provocou a substituição de Moltke por Falkenhayn, a 14 de Setembro. Após os combates da Corrida para o mar e do Conflito de Flandres de Setembro a Novembro, nos quais se distinguiu Foch, coordenando, em nome de Joffre, a resistência belga, britânica e francesa, fez estabilizar uma frente de 750km, desde o mar do Norte até à Suíça.


    FRENTES RUSSAS:

    Na Prússia oriental, os russos, tomando a ofensiva, foram detidos por Hindenburg em Tannenberg, a 25 de Agosto, mas, na Galícia, apossaram-se de Lvov, a 3 de Setembro, e obrigaram os austro-húngaros a capitular nos Cárpatos, onde a frente se estabilizou. Na Sérvia, os austro-húngaros foram rechaçados em todos os pontos, e os sérvios recuaram até Belgrado, a 13 de Dezembro.

    GUERRA NAVAL:
    Os Aliados que tinham a hegemonia graças à Grã-Bretanha, adquiriram o domínio dos mares e impuseram-se em bloco aos impérios centrais, aos quais desejavam com muita ansiedade "asfixiar". Depois de ter combatido os ingleses ao longo do cabo Coronel no 1º de Novembro, a esquadra alemã do Pacífico (M. von Spee), permanecendo isolada no mar, foi destruída em Falkland no dia 8 do mês de Dezembro.

    NATAL DE 1914:
    Sem conseguir obter pelas armas a decisão rápida esperada no oeste, a Alemanha teve que aceitar uma frente oriental, mas conservando ainda a ofensiva. A França, cujas ricas províncias do norte e do leste foram ocupadas, viu decrescerem os seus potenciais humanos e económicos. Perdeu, primordialmente, 93 altos-
-fornos de um total de 123, 90% do seu potencial mineral de ferro e 40% do carvão. Estabeleceu-se uma guerra de tipo totalmente novo, que envolvia o conjunto das populações. Ela se prenunciava como prolongada e integral, nos planos económicos, diplomáticos e principalmente morais.

 

   1915 - O ANO INDECISO

  Ao constatar o fracasso do plano Schlieffen, Falkenhayn decidiu eliminar inicialmente a Rússia, para voltar-se em seguida contra a França e a Grã-
-Bretanha. Em Maio, os alemães, ajudados no sul pelos austro-húngaros, infligiram um golpe decisivo aos russos em Gorlice, na Galícia, obrigando-os assim a evacuar a Polónia e a restabelecerem-se, em Setembro, numa linha que ia desde Riga até à fronteira romena que cujo nome era Ychernovtsy.

    NOS BALCÃS:
    A operação deflagrada pelos Aliados, em Fevereiro e Março, a pedido da Grã-
-Bretanha e estimulada por Churchill, visando a forçar passagem pelo estreito de Dardanelos, apoiar os russos e isolar os turcos, que há algum tempo ameaçavam o canal de Suez, representou um fracasso. A Bulgária, entrando na guerra a 5 de Outubro, provocou a derrocada da Sérvia, conquistando-a. Finalmente, os Aliados desembarcaram em Salónica, em Outubro, numa Grécia neutra, mas dividida entre simpatizantes dos Aliados (Venizelos) e dos alemães (o rei Constantino e o seu cunhado Guilherme II).

    A OESTE:
    Tratava-se sobretudo, para os franceses, de libertar seu território, conseguindo "furar" uma frente que passava a 90km de Paris. Contudo, os ataques ocorridos em Champagne, em Fevereiro, Março e Setembro, e em Artois, em Maio e Setembro, fracassaram. Estes foram extremamente violentos, especialmente para a infantaria francesa, mas, ao manter dois terços das forças alemãs a oeste, contribuiram para evitar a derrocada russa.

    GUERRA NAVAL E OUTRAS FRENTES:
    A ofensiva submarina alemã, que em 1914 começara a lançar-se contra o bloqueio e a arruinar o comércio britânico, foi oficialmente deflagrada em Fevereiro de 1915. Mas, os protestos americanos, devido ao torpedeamento, em 7 de Maio, do navio britânico Lusitânia, que transportava passageiros norte-americanos, obrigaram a Alemanha a adiar, no momento, aquela forma de guerra. A entrada da Itália em cena, ao lado dos Aliados e ao declarar guerra à Áustria-Hungria, em 20 de Maio, provocou a formação de uma nova frente, que ia do Trentino ao Karst. Em Julho, os ingleses ocuparam todo o Sudoeste Africano pertencente à Alemanha.

    BALANÇO:
    A Alemanha conseguiu afastar muito bem qualquer perigo que ameaçasse sua frente de leste, mas a Rússia continuava a resistir; o czar recusou por três vezes as ofertas que os alemães lhe propuseram de uma paz em separado, o que levou Berlim, a partir daí, a aceitar a Revolução Russa. As iniciativas dos Aliados foram decepcionantes, o que os fez considerar indispensável coordenarem seus esforços. Um primeiro passo neste sentido foi obtido por Joffre na conferência interaliada de Chantilly, em Dezembro.

 

   1916 - O ANO DE VERDUN

  Falkenhayn, tendo decidido deixar a situação "apodrecer" na Rússia, decidiu eliminar o exército francês, instrumento da força britânica no continente e que considerava seu princi-pal adversário. Assim, de 21 de Fevereiro até meados de Agosto, os alemães procuraram uma solução em Verdun através do esgotamento dos recursos humanos do exército francês, os quais, durante uma luta de trincheiras sangrenta, resistiram vitoriosamente sob o comando dos generais Pétain e Nivelle. De Outubro a Dezembro, as contra-ofensivas de Mangin libertaram toda a cidade (retomada de Douaumont e de Vaux). Esta batalha não impediu Joffre e Haig de deflagrarem, de Julho a Outubro, uma ofensiva contra o Somme, onde os ingleses utilizaram tanques de guerra pela primeira vez, em Flers, em 15 de Setembro.


    A LESTE:
    Para socorrer Verdun e permitir a ofensiva aliada no Somme, os russos, comandados por Brussilov, obtiveram, na Galícia e em Bucovina, de Junho a Agosto, uma brilhante vitória, que seria a última do exército do czar. Ademais, a entrada da Roménia na guerra, do lado dos Aliados, a 28 de Agosto, pôs em perigo o abastecimento de trigo e petróleo da Alemanha, provocando a substituição de Falkenhayn. Hindenburg e Ludendorff substituiram-no, encarregando-o da conquista da Roménia (o que fez em três meses), enquanto, em Verdun, decidiram passar à defensiva.

    O IMPASSE DA GUERRA DE DESGASTE:
    Nos Balcãs, o exército sérvio, recomposto em Corfu, atacou e invadiu Monastir (Bitola, a 19 de Novembro), enquanto os Aliados estavam na Macedónia. No Médio Oriente, o rei Husayn, do Hedjaz, aconselhado pelo inglês Lawrence, sublevou a Arábia contra os turcos. Estes forçaram os ingleses a capitular em Kut al-'Amara, a 28 de Abril, e reiniciaram os ataques a Suez. Na Alemanha, a oposição de Bethmann-Hollweg, que se negava a admitir o aumento do número de inimigos do Reich, impediu o reinício da guerra submarina. A frota alemã de alto-mar, comandada pelo almirante Scheer, enfrentou a "Grande Armada" britânica de Jellicoe na Jutlândia, a 31 e Maio. Apesar do seu relativo êxito, os alemães nunca mais ousaram lançar sua frota ao mar. Além disso, para eles, apenas uma utilização intensa de submarinos poderia ser decisiva.
    No final de 1916, apesar do seu fracasso em Verdun, a Alemanha conservava ainda a ofensiva, procurando obter a decisão através de outras formas de guerra. Em ambos os campos, as perdas tinham sido consideráveis e as crises de comando constituiram a consequência dessa guerra de desgaste. Todas as esperanças alemãs se depositaram em Hindenburg e, na França, Joffre teve de ser substituído por Nivelle, em Dezembro.

 

   1917 - O ANO INTRANQUILO

    Diante da atitude defensiva dos alemães, que, por medida de economia, encurtaram as suas linhas, em Fevereiro, Nivelle convenceu os ingleses da ideia de uma grande ofensiva que, rompendo a frente francesa, trouxesse enfim a decisão da guerra. Foi o completo fracasso de Chemin des Dames, a 16 de Abril, que determinou uma grave crise tanto na França quanto no seio do seu exército. Pétain, tendo substituído Nivelle, em 15 de Maio, contornou-
-a com uma compreensão humana igual à sua firmeza, e conseguiu deflagrar vitoriosamente alguns ataques limitados diante de Verdun, em Agosto, e em Malmaison, em Outubro. De seu lado, os ingleses infligiram duros ataques ao redor de Ypres, de Junho a Novembro, e depois em Cambrai, em Novembro, onde empregaram 400 tanques.

    O CESSAR-FOGO DA FRENTE RUSSA:
    A primeira revolução de Petrogrado terminou com a abdicação do czar, a 15 de Março. Os governos do príncipe Lvov, procuraram continuar a luta junto aos Aliados, mas o exército russo debandou em Bucovina, em Julho, e os alemães apossaram-
-se de Riga, a 3 de Outubro. A tomada do poder por Lenine e os bolcheviques, em 7 de Novembro (revolução dita "de Outubro"), provocou a abertura de negociações com Berlim. Estas levaram, em 15 de Dezembro, à assinatura do armistício-tratado de paz de Brest-Litovsk, que constituiu uma grande vitória para a Alemanha.

    CAPORETTO:
    Os alemães reforçaram as suas investidas contra os italianos, a fim de reintroduzir na guerra uma Áustria exaurida e abalada devido à oferta feita pelos Aliados ao imperador Carlos de uma paz em separado (transmitida por seus cunhados, os príncipes de Bourbon-Parma). Vencidos em Caporetto, a 24 de Outubro, os italianos recuaram até ao Piave, onde puderam reconstituir-se com a ajuda de um corpo franco-britânico (Fayolle). No Médio Oriente, os ingleses apossaram-se de Bagdad, a 11 de Março, e de Jerusalém, a 9 de Dezembro.

    A OFENSIVA SUBMARINA ALEMÃ:
    Para dobrar a Grã-Bretanha, Guilherme II desencadeou no 1º de Fevereiro, uma guerra submarina decisiva, aceitando assim deliberadamente a entrada dos E.U.A. na guerra, concretizada em 2 de Abril. As perdas da força naval dos Aliados foram imensas (900.000t. em Abril, um recorde jamais alcançado durante a Segunda Guerra Mundial), e vitória dos submarinos alemães prolongou-se até ao inverno (70 no mar contra 130 em reparos), sem contudo conseguir abater a Grã-Bretanha.

    BALANÇO:
    Os alemães eliminaram a frente russa, mas com o êxito da sua ofensiva submarina não foi decisivo. Na França, a crise moral e política que se seguiu à dos exércitos levou Poincaré a confiar, em Novembro, o governo a Clemenceau. O programa deste era: "Eu faço a guerra". Para os Aliados, o exército norte-americano ainda não estava preparado para intervir, mas a ajuda dos E.U.A. já se fazia sentir directamente nos domínios naval, económico e financeiro. Se desejassem a vitória, os alemães deveriam, portanto, terminar a guerra o mais breve possível.

 

   1918 - A VITÓRIA DOS EXÉRCITOS DE FOCH

    O plano de Ludendorff era decidir a guerra na França antes do verão, isto é, antes do desenvolvimento maciço dos norte-ameri-
canos. Como necessitava de cerca de 700.000 homens que estavam na frente leste, Ludendorff obrigou a Ucrânia e a Rússia (tratados de Brest-Litovsk de 9 de Fevereiro e de 3 de Março), depois da Roménia (tratado de Bucareste, em Maio, na Picardia), a abrir uma brecha de 20km entre os exércitos franceses e britânicos. Esta brecha ameaçou Amiens. Diante do perigo, Lloyd George e Clemenceau confiaram o comando único a Foch, em Doullens, a 26 de Março. Este, coordenando a acção de Haig e Pétain, salvou Amiens. O general-chefe conseguiu depois resistir às novas investidas de Ludendorff nas Flandres, em Abril, desde o Chemin des Dames até ao Marne, em Maio, no Matz, em Junho, e finalmente em Champagne, a 15 de Julho. Os alemães perderam a situação ofensiva e, desta vez, a sorte mudou de lado. Foch, que agora dispunha de 16 divisões norte-ameri-
canas do general Pershing, lançou uma série de contra-ofensivas em Villers-
-Cotterêts, a 18 de Julho, na Picardia, a 8 de Agosto, e desde o rio Mosa até ao mar, em Setembro, brigando os alemães a baterem em retirada em Gand, Cambrai e Sedan. A 4 de Novembro, Hindenburg, que se separou de Ludendorff, viu-se constrangido a ordenar a retirada geral para o Reno e a pedir aos Aliados, no dia 7, um armistício, o qual foi assinado no dia 11 em Rethondes, depois de abdicação de Guilherme II.


    VITÓRIA NOS BALCÃS E NAS OUTRAS FRENTES:
    Franchet d'Esperey, colocado em Junho à frente do comando dos exércitos aliados do Oriente (franceses, sérvios, gregos, ingleses e italianos), encetou uma ofensiva decisiva na Macedónia, em 15 de Setembro. Depois de obrigar a Bulgária a pedir o armistício, a 29 de Setembro, as sua forças entraram na Roménia e ameaçaram a Turquia e a Áustria. Estremecida inclusive pela vitória italiana de Vittorino Veneto, a 24 de Outubro, a Áustria assinou o armistício em Pádua, a 3 de Novembro. A dupla monarquia foi destituída: húngaros e tchecos declararam a sua independência, enquanto em Viena o imperador Carlos abdicava e era proclamada a República da Áustria, sendo a sua anexação à Alemanha recusada pelos Aliados.
    Na Palestina os ingleses tomaram a ofensiva, em Setembro, e apoderaram-se de Beirute, de Damasco e de lepo, a 25 de Outubro. No dia 30, os turcos tiveram de assinar o armistício de Mudros. Finalmente, a 14 de Novembro, os alemães depuseram as armas na África oriental.
    Em 1918, os Aliados, que haviam adoptado um sistema lento mas seguro de comboio de navios, puderam lutar com mais eficácia contra os U-Boot alemães. Embora estes afundassem mais de 2,7 milhões de toneladas de navios aliados, não puderam impedir o transporte, para a França, de 2 milhões de soldados norte-
-americanos. Cento e setenta e seis submarinos alemães foram entregues aos Aliados, enquanto a frota de alto-mar alemã foi conduzida a Scapa Flow, onde foi posta a pique em 21 de Junho de 1919.
 



 

 


 


 

 

José Nogueira Reis


  José Nogueira dos Reis - DESENROLAR DA GUERRA 1914 - O FRACASSO DO PLANO ALEMÃO Violando a neutralidade estabelecida pela Bélgica, os alemães inicialmente apoderaram--se de Liège, de 7 a 16 de Agosto, depois de Charleroi, de 21 a 23 de Agosto, e de Mons, em 23 de Agosto. Em seguida, ganharam a batalha nas fronteiras francesas, principalmente na Lorena (Morhange) e nas Ardenas, de 20 a 23 de Agosto, forçando depois os exércitos franceses e o britânico de French a baterem em retirada, primeiro até ao Aisne e depois para o sul do Marne. Mas, de 6 a 13 de Setembro, Joffre, auxiliado por Gallieni, governador de Paris, conseguiu, com a sua vitória no Marne, deter a invasão, o que provocou a substituição de Moltke por Falkenhayn, a 14 de Setembro. Após os combates da Corrida para o mar e do Conflito de Flandres de Setembro a Novembro, nos quais se distinguiu Foch, coordenando, em nome de Joffre, a resistência belga, britânica e francesa, fez estabilizar uma frente de 750km, desde o mar do Norte até à Suíça. FRENTES RUSSAS: Na Prússia oriental, os russos, tomando a ofensiva, foram detidos por Hindenburg em Tannenberg, a 25 de Agosto, mas, na Galícia, apossaram-se de Lvov, a 3 de Setembro, e obrigaram os austro-húngaros a capitular nos Cárpatos, onde a frente se estabilizou. Na Sérvia, os austro-húngaros foram rechaçados em todos os pontos, e os sérvios recuaram até Belgrado, a 13 de Dezembro. GUERRA NAVAL: Os Aliados que tinham a hegemonia graças à Grã-Bretanha, adquiriram o domínio dos mares e impuseram-se em bloco aos impérios centrais, aos quais desejavam com muita ansiedade "asfixiar". Depois de ter combatido os ingleses ao longo do cabo Coronel no 1º de Novembro, a esquadra alemã do Pacífico (M. von Spee), permanecendo isolada no mar, foi destruída em Falkland no dia 8 do mês de Dezembro. NATAL DE 1914: Sem conseguir obter pelas armas a decisão rápida esperada no oeste, a Alemanha teve que aceitar uma frente oriental, mas conservando ainda a ofensiva. A França, cujas ricas províncias b


   1914 - O FRACASSO DO PLANO ALEMÃO

  Violando a neutralidade estabelecida pela Bélgica, os alemães inicialmente apoderaram-
-se de Liège, de 7 a 16 de Agosto, depois de Charleroi, de 21 a 23 de Agosto, e de Mons, em 23 de Agosto. Em seguida, ganharam a batalha nas fronteiras francesas, principalmente na Lorena (Morhange) e nas Ardenas, de 20 a 23 de Agosto, forçando depois os exércitos franceses e o britânico de French a baterem em retirada, primeiro até ao Aisne e depois para o sul do Marne. Mas, de 6 a 13 de Setembro, Joffre, auxiliado por Gallieni, governador de Paris, conseguiu, com a sua vitória no Marne, deter a invasão, o que provocou a substituição de Moltke por Falkenhayn, a 14 de Setembro. Após os combates da Corrida para o mar e do Conflito de Flandres de Setembro a Novembro, nos quais se distinguiu Foch, coordenando, em nome de Joffre, a resistência belga, britânica e francesa, fez estabilizar uma frente de 750km, desde o mar do Norte até à Suíça.


    FRENTES RUSSAS:

    Na Prússia oriental, os russos, tomando a ofensiva, foram detidos por Hindenburg em Tannenberg, a 25 de Agosto, mas, na Galícia, apossaram-se de Lvov, a 3 de Setembro, e obrigaram os austro-húngaros a capitular nos Cárpatos, onde a frente se estabilizou. Na Sérvia, os austro-húngaros foram rechaçados em todos os pontos, e os sérvios recuaram até Belgrado, a 13 de Dezembro.

    GUERRA NAVAL:
    Os Aliados que tinham a hegemonia graças à Grã-Bretanha, adquiriram o domínio dos mares e impuseram-se em bloco aos impérios centrais, aos quais desejavam com muita ansiedade "asfixiar". Depois de ter combatido os ingleses ao longo do cabo Coronel no 1º de Novembro, a esquadra alemã do Pacífico (M. von Spee), permanecendo isolada no mar, foi destruída em Falkland no dia 8 do mês de Dezembro.

    NATAL DE 1914:
    Sem conseguir obter pelas armas a decisão rápida esperada no oeste, a Alemanha teve que aceitar uma frente oriental, mas conservando ainda a ofensiva. A França, cujas ricas províncias do norte e do leste foram ocupadas, viu decrescerem os seus potenciais humanos e económicos. Perdeu, primordialmente, 93 altos-
-fornos de um total de 123, 90% do seu potencial mineral de ferro e 40% do carvão. Estabeleceu-se uma guerra de tipo totalmente novo, que envolvia o conjunto das populações. Ela se prenunciava como prolongada e integral, nos planos económicos, diplomáticos e principalmente morais.

 

   1915 - O ANO INDECISO

  Ao constatar o fracasso do plano Schlieffen, Falkenhayn decidiu eliminar inicialmente a Rússia, para voltar-se em seguida contra a França e a Grã-
-Bretanha. Em Maio, os alemães, ajudados no sul pelos austro-húngaros, infligiram um golpe decisivo aos russos em Gorlice, na Galícia, obrigando-os assim a evacuar a Polónia e a restabelecerem-se, em Setembro, numa linha que ia desde Riga até à fronteira romena que cujo nome era Ychernovtsy.

    NOS BALCÃS:
    A operação deflagrada pelos Aliados, em Fevereiro e Março, a pedido da Grã-
-Bretanha e estimulada por Churchill, visando a forçar passagem pelo estreito de Dardanelos, apoiar os russos e isolar os turcos, que há algum tempo ameaçavam o canal de Suez, representou um fracasso. A Bulgária, entrando na guerra a 5 de Outubro, provocou a derrocada da Sérvia, conquistando-a. Finalmente, os Aliados desembarcaram em Salónica, em Outubro, numa Grécia neutra, mas dividida entre simpatizantes dos Aliados (Venizelos) e dos alemães (o rei Constantino e o seu cunhado Guilherme II).

    A OESTE:
    Tratava-se sobretudo, para os franceses, de libertar seu território, conseguindo "furar" uma frente que passava a 90km de Paris. Contudo, os ataques ocorridos em Champagne, em Fevereiro, Março e Setembro, e em Artois, em Maio e Setembro, fracassaram. Estes foram extremamente violentos, especialmente para a infantaria francesa, mas, ao manter dois terços das forças alemãs a oeste, contribuiram para evitar a derrocada russa.

    GUERRA NAVAL E OUTRAS FRENTES:
    A ofensiva submarina alemã, que em 1914 começara a lançar-se contra o bloqueio e a arruinar o comércio britânico, foi oficialmente deflagrada em Fevereiro de 1915. Mas, os protestos americanos, devido ao torpedeamento, em 7 de Maio, do navio britânico Lusitânia, que transportava passageiros norte-americanos, obrigaram a Alemanha a adiar, no momento, aquela forma de guerra. A entrada da Itália em cena, ao lado dos Aliados e ao declarar guerra à Áustria-Hungria, em 20 de Maio, provocou a formação de uma nova frente, que ia do Trentino ao Karst. Em Julho, os ingleses ocuparam todo o Sudoeste Africano pertencente à Alemanha.

    BALANÇO:
    A Alemanha conseguiu afastar muito bem qualquer perigo que ameaçasse sua frente de leste, mas a Rússia continuava a resistir; o czar recusou por três vezes as ofertas que os alemães lhe propuseram de uma paz em separado, o que levou Berlim, a partir daí, a aceitar a Revolução Russa. As iniciativas dos Aliados foram decepcionantes, o que os fez considerar indispensável coordenarem seus esforços. Um primeiro passo neste sentido foi obtido por Joffre na conferência interaliada de Chantilly, em Dezembro.

 

   1916 - O ANO DE VERDUN

  Falkenhayn, tendo decidido deixar a situação "apodrecer" na Rússia, decidiu eliminar o exército francês, instrumento da força britânica no continente e que considerava seu princi-pal adversário. Assim, de 21 de Fevereiro até meados de Agosto, os alemães procuraram uma solução em Verdun através do esgotamento dos recursos humanos do exército francês, os quais, durante uma luta de trincheiras sangrenta, resistiram vitoriosamente sob o comando dos generais Pétain e Nivelle. De Outubro a Dezembro, as contra-ofensivas de Mangin libertaram toda a cidade (retomada de Douaumont e de Vaux). Esta batalha não impediu Joffre e Haig de deflagrarem, de Julho a Outubro, uma ofensiva contra o Somme, onde os ingleses utilizaram tanques de guerra pela primeira vez, em Flers, em 15 de Setembro.


    A LESTE:
    Para socorrer Verdun e permitir a ofensiva aliada no Somme, os russos, comandados por Brussilov, obtiveram, na Galícia e em Bucovina, de Junho a Agosto, uma brilhante vitória, que seria a última do exército do czar. Ademais, a entrada da Roménia na guerra, do lado dos Aliados, a 28 de Agosto, pôs em perigo o abastecimento de trigo e petróleo da Alemanha, provocando a substituição de Falkenhayn. Hindenburg e Ludendorff substituiram-no, encarregando-o da conquista da Roménia (o que fez em três meses), enquanto, em Verdun, decidiram passar à defensiva.

    O IMPASSE DA GUERRA DE DESGASTE:
    Nos Balcãs, o exército sérvio, recomposto em Corfu, atacou e invadiu Monastir (Bitola, a 19 de Novembro), enquanto os Aliados estavam na Macedónia. No Médio Oriente, o rei Husayn, do Hedjaz, aconselhado pelo inglês Lawrence, sublevou a Arábia contra os turcos. Estes forçaram os ingleses a capitular em Kut al-'Amara, a 28 de Abril, e reiniciaram os ataques a Suez. Na Alemanha, a oposição de Bethmann-Hollweg, que se negava a admitir o aumento do número de inimigos do Reich, impediu o reinício da guerra submarina. A frota alemã de alto-mar, comandada pelo almirante Scheer, enfrentou a "Grande Armada" britânica de Jellicoe na Jutlândia, a 31 e Maio. Apesar do seu relativo êxito, os alemães nunca mais ousaram lançar sua frota ao mar. Além disso, para eles, apenas uma utilização intensa de submarinos poderia ser decisiva.
    No final de 1916, apesar do seu fracasso em Verdun, a Alemanha conservava ainda a ofensiva, procurando obter a decisão através de outras formas de guerra. Em ambos os campos, as perdas tinham sido consideráveis e as crises de comando constituiram a consequência dessa guerra de desgaste. Todas as esperanças alemãs se depositaram em Hindenburg e, na França, Joffre teve de ser substituído por Nivelle, em Dezembro.

 

   1917 - O ANO INTRANQUILO

    Diante da atitude defensiva dos alemães, que, por medida de economia, encurtaram as suas linhas, em Fevereiro, Nivelle convenceu os ingleses da ideia de uma grande ofensiva que, rompendo a frente francesa, trouxesse enfim a decisão da guerra. Foi o completo fracasso de Chemin des Dames, a 16 de Abril, que determinou uma grave crise tanto na França quanto no seio do seu exército. Pétain, tendo substituído Nivelle, em 15 de Maio, contornou-
-a com uma compreensão humana igual à sua firmeza, e conseguiu deflagrar vitoriosamente alguns ataques limitados diante de Verdun, em Agosto, e em Malmaison, em Outubro. De seu lado, os ingleses infligiram duros ataques ao redor de Ypres, de Junho a Novembro, e depois em Cambrai, em Novembro, onde empregaram 400 tanques.

    O CESSAR-FOGO DA FRENTE RUSSA:
    A primeira revolução de Petrogrado terminou com a abdicação do czar, a 15 de Março. Os governos do príncipe Lvov, procuraram continuar a luta junto aos Aliados, mas o exército russo debandou em Bucovina, em Julho, e os alemães apossaram-
-se de Riga, a 3 de Outubro. A tomada do poder por Lenine e os bolcheviques, em 7 de Novembro (revolução dita "de Outubro"), provocou a abertura de negociações com Berlim. Estas levaram, em 15 de Dezembro, à assinatura do armistício-tratado de paz de Brest-Litovsk, que constituiu uma grande vitória para a Alemanha.

    CAPORETTO:
    Os alemães reforçaram as suas investidas contra os italianos, a fim de reintroduzir na guerra uma Áustria exaurida e abalada devido à oferta feita pelos Aliados ao imperador Carlos de uma paz em separado (transmitida por seus cunhados, os príncipes de Bourbon-Parma). Vencidos em Caporetto, a 24 de Outubro, os italianos recuaram até ao Piave, onde puderam reconstituir-se com a ajuda de um corpo franco-britânico (Fayolle). No Médio Oriente, os ingleses apossaram-se de Bagdad, a 11 de Março, e de Jerusalém, a 9 de Dezembro.

    A OFENSIVA SUBMARINA ALEMÃ:
    Para dobrar a Grã-Bretanha, Guilherme II desencadeou no 1º de Fevereiro, uma guerra submarina decisiva, aceitando assim deliberadamente a entrada dos E.U.A. na guerra, concretizada em 2 de Abril. As perdas da força naval dos Aliados foram imensas (900.000t. em Abril, um recorde jamais alcançado durante a Segunda Guerra Mundial), e vitória dos submarinos alemães prolongou-se até ao inverno (70 no mar contra 130 em reparos), sem contudo conseguir abater a Grã-Bretanha.

    BALANÇO:
    Os alemães eliminaram a frente russa, mas com o êxito da sua ofensiva submarina não foi decisivo. Na França, a crise moral e política que se seguiu à dos exércitos levou Poincaré a confiar, em Novembro, o governo a Clemenceau. O programa deste era: "Eu faço a guerra". Para os Aliados, o exército norte-americano ainda não estava preparado para intervir, mas a ajuda dos E.U.A. já se fazia sentir directamente nos domínios naval, económico e financeiro. Se desejassem a vitória, os alemães deveriam, portanto, terminar a guerra o mais breve possível.

 

   1918 - A VITÓRIA DOS EXÉRCITOS DE FOCH

    O plano de Ludendorff era decidir a guerra na França antes do verão, isto é, antes do desenvolvimento maciço dos norte-ameri-
canos. Como necessitava de cerca de 700.000 homens que estavam na frente leste, Ludendorff obrigou a Ucrânia e a Rússia (tratados de Brest-Litovsk de 9 de Fevereiro e de 3 de Março), depois da Roménia (tratado de Bucareste, em Maio, na Picardia), a abrir uma brecha de 20km entre os exércitos franceses e britânicos. Esta brecha ameaçou Amiens. Diante do perigo, Lloyd George e Clemenceau confiaram o comando único a Foch, em Doullens, a 26 de Março. Este, coordenando a acção de Haig e Pétain, salvou Amiens. O general-chefe conseguiu depois resistir às novas investidas de Ludendorff nas Flandres, em Abril, desde o Chemin des Dames até ao Marne, em Maio, no Matz, em Junho, e finalmente em Champagne, a 15 de Julho. Os alemães perderam a situação ofensiva e, desta vez, a sorte mudou de lado. Foch, que agora dispunha de 16 divisões norte-ameri-
canas do general Pershing, lançou uma série de contra-ofensivas em Villers-
-Cotterêts, a 18 de Julho, na Picardia, a 8 de Agosto, e desde o rio Mosa até ao mar, em Setembro, brigando os alemães a baterem em retirada em Gand, Cambrai e Sedan. A 4 de Novembro, Hindenburg, que se separou de Ludendorff, viu-se constrangido a ordenar a retirada geral para o Reno e a pedir aos Aliados, no dia 7, um armistício, o qual foi assinado no dia 11 em Rethondes, depois de abdicação de Guilherme II.


    VITÓRIA NOS BALCÃS E NAS OUTRAS FRENTES:
    Franchet d'Esperey, colocado em Junho à frente do comando dos exércitos aliados do Oriente (franceses, sérvios, gregos, ingleses e italianos), encetou uma ofensiva decisiva na Macedónia, em 15 de Setembro. Depois de obrigar a Bulgária a pedir o armistício, a 29 de Setembro, as sua forças entraram na Roménia e ameaçaram a Turquia e a Áustria. Estremecida inclusive pela vitória italiana de Vittorino Veneto, a 24 de Outubro, a Áustria assinou o armistício em Pádua, a 3 de Novembro. A dupla monarquia foi destituída: húngaros e tchecos declararam a sua independência, enquanto em Viena o imperador Carlos abdicava e era proclamada a República da Áustria, sendo a sua anexação à Alemanha recusada pelos Aliados.
    Na Palestina os ingleses tomaram a ofensiva, em Setembro, e apoderaram-se de Beirute, de Damasco e de lepo, a 25 de Outubro. No dia 30, os turcos tiveram de assinar o armistício de Mudros. Finalmente, a 14 de Novembro, os alemães depuseram as armas na África oriental.
    Em 1918, os Aliados, que haviam adoptado um sistema lento mas seguro de comboio de navios, puderam lutar com mais eficácia contra os U-Boot alemães. Embora estes afundassem mais de 2,7 milhões de toneladas de navios aliados, não puderam impedir o transporte, para a França, de 2 milhões de soldados norte-
-americanos. Cento e setenta e seis submarinos alemães foram entregues aos Aliados, enquanto a frota de alto-mar alemã foi conduzida a Scapa Flow, onde foi posta a pique em 21 de Junho de 1919.
 


 

 

História

Análise da 1ªGuerra Mundial e outras considerações sobre Portugal e os conflitos armados de «Grande Gabarito»

Análise efectuada por José Nogueira dos Reis, mas, tendo pouco de autoconceito, e, muito  de buscas intensivas acerca do tema em questão.

Resumo cronológico da participação Portuguesa na
PRIMEIRA Grande GUERRA MUNDIAL, normalmente apelidada de 1ªGuerra Mundial

Resumo do que a antecede no período compreendido entre ,1910 E 1916

 

José Nogueira dos Reis - Portugal1910 - HistóriaAnálise da 1ªGuerra Mundial e outras considerações sobre Portugal e os conflitos armados de "Grande Gabarito" Análise efectuada por José Nogueira dos Reis, mas, tendo pouco de autoconceito, e, muito de buscas intensivas acerca do tema em questão. Resumo cronológico da participação Portuguesa naPRIMEIRA Grande GUERRA MUNDIAL, normalmente apelidada de 1ªGuerra Mundial Resumo do que a antecede no período compreendido entre ,1910 E 1916 5 de Outubro de 1910Instauração do regime republicano. O Exército, sobretudo o seu corpo de oficiais, não participou, de facto, nem a favor nem contra a insurreição.6 de Outubro de 1910O coronel de artilharia Correia Barreto é nomeado ministro da Guerra do Governo Provisório. Era um dos oficiais mais graduados a ter apoiado o novo regime político. Estará em funções até 3 de Setembro de 1911. 17 de Outubro de 1910Criação de uma comissão para estudar a reorganização do exército. 22 de Outubro de 1910O Brasil e a Argentina são os primeiros países a reconhecer oficialmente a República Portuguesa. Portugal1911 2 de Março de 1911Lei do recrutamento. Instaura teoricamente, mas não de facto, o recrutamento universal. O sistema oficial das remissões - pagamento de um substituto - acaba, mas é substituído pelo sistema de pagamento para se ficar "não apto".3 de Maio de 1911Publicação do Decreto que organiza a Guarda Nacional Republicana. A criação da Guarda tinha como objectivo retirar ao exército, encarado como a Nação em Armas, a função de defesa do regime, e de manutenção da ordem pública. Esta divisão de tarefas nunca foi posta em prática.25 de Maio de 1911Decreto de reorganização do Exército. Previa a existência de 8 divisões e 1 brigada de cavalaria, com um quadro permanente de 1.773 oficiais e 9.926 praças. O serviço militar devia ser geral e obrigatório. Os mancebos passavam por uma escola de recruta, de 15 a 30 semanas, sendo chamados quase todos os anos (7 em 10) para as escolas de repetição, que duravam 2 sb

5 de Outubro de 1910

Instauração do regime republicano. O Exército, sobretudo o seu corpo de oficiais, não participou, de facto, nem a favor nem contra a insurreição.

6 de Outubro de 1910

O coronel de artilharia Correia Barreto é nomeado ministro da Guerra do Governo Provisório. Era um dos oficiais mais graduados a ter apoiado o novo regime político. Estará em funções até 3 de Setembro de 1911.

17 de Outubro de 1910

Criação de uma comissão para estudar a reorganização do exército.

22 de Outubro de 1910

O Brasil e a Argentina são os primeiros países a reconhecer  oficialmente a República Portuguesa.

 

Portugal

1911

 

2 de Março de 1911

Lei do recrutamento. Instaura teoricamente, mas não de facto, o recrutamento universal. O sistema oficial das remissões - pagamento de um substituto - acaba, mas é substituído pelo sistema de pagamento para se ficar «não apto».

3 de Maio  de 1911

Publicação do Decreto que organiza a Guarda Nacional Republicana. A criação da Guarda tinha como objectivo retirar ao exército, encarado como a Nação em Armas, a função de defesa do regime, e de manutenção da ordem pública. Esta divisão de tarefas nunca foi posta em prática.

25 de Maio de 1911

Decreto de reorganização do Exército. Previa a existência de 8 divisões e 1 brigada de cavalaria, com um quadro permanente de 1.773 oficiais e 9.926 praças. O serviço militar devia ser geral e obrigatório. Os mancebos passavam por uma escola de recruta, de 15 a 30 semanas, sendo chamados quase todos os anos (7 em 10) para as escolas de repetição, que duravam 2 semanas. Criavam-se também escolas de quadros, que formarão os futuros oficiais milicianos. 

19 de Junho de 1911

Os Estados Unidos da América reconhecem a República Portuguesa, no dia da abertura da Congresso, sendo a primeira potência com algum significado a fazê-lo.

24 de Agosto de 1911

A França reconhece a República portuguesa, no dia da eleição do Presidente da República, sendo o primeiro país europeu a fazê-lo

3 de Setembro de 1911

Nomeação do primeiro Governo Constitucional da República. O general Pimenta de Castro é ministro da Guerra.

11 de Setembro de 1911

Reconhecimento conjunto da República portuguesa pelas grandes potências europeias, todas com um sistema político monárquico: Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha, Itália e Áustria-Hungria.

5 de Outubro de 1911

Primeira incursão monárquica, comandada por Paiva Couceiro, em Trás-os-Montes. O ministro da guerra, general Pimenta de Castro, será exonerado dia 8 de Outubro seguinte, devido a divergências com João Chagas, presidente do Conselho de Ministros. Será substituído pelo major Alberto da Silveira.

4 de Novembro de 1911

O governo de Angola pede auxílio a Lisboa para pôr cobro à rebelião instalada no planalto de Benguela, assim como no Bié, Lunda e Norte do Cassai

 

Portugal

1912

 

31 de Janeiro de 1912

Forças militares e da carbonária tomam de assalto a União dos Sindicatos. Os presos são enviados para bordo da fragata D. Fernando e do transporte Pêro d'Alenquer.

7 de Fevereiro de 1912

O governo britânico desmente os boatos, postos a circular pelo embaixador português Teixeira Gomes, que davam como certo um acordo entre o Reino Unido e a Alemanha para divisão das colónias portuguesas de África.

15 de Abril de 1912

O Presidente do Ministério e ministro dos negócios estrangeiros, Augusto de Vasconcelos, garantiu na Câmara dos Deputados não existir nenhum tratado entre a Inglaterra e a Alemanha «de natureza a ameaçar a independência, a integridade e os interesses de Portugal ou de uma parte qualquer dos seus domínios.»

6 e 7 de Julho de 1912

As forças monárquicas de Paiva Couceiro entram, pela segunda vez, em Portugal tentando tomar a praça de Valença, o que não conseguem. Entrarão no dia seguinte em Trás-os-Montes tentando capturar Chaves. 

8 de Julho de 1912

Combate de Chaves. Os monárquicos são completamente desbaratados, deixando alguns mortos e feridos no campo.

10 de Julho de 1912

Os projectos de construção dos caminhos-de-ferro de Benguela, em Angola, e da Zambézia, em Moçambique, são aprovados.

8 de Agosto de 1912

O governador Norton de Matos funda a cidade de Huambo em Angola.

10 de Novembro de 1912

Afonso Costa, discursando em Santarém, afirma que «neste momento, em que vai talvez dar-se uma conflagração europeia ... nós não sabemos ainda qual terá de ser o nosso papel, porque não está definida verdadeiramente a natureza, a extensão, os efeitos da nossa aliança com a Inglaterra.»

18 de Dezembro de 1912

Um relatório secreto do Estado-Maior da Marinha britânica, conclui que Portugal não tinha para a Grã-Bretanha grande valor estratégico, desde que os seus  territórios atlânticos não caíssem nas mãos de potências hostis.

 

Portugal

1913

 

9 de Janeiro de 1913

Tomada de posse do 1.º governo Afonso Costa

21 de Fevereiro de 1913

Confirmam-se as suspeitas de existência de negociações, entre a Grã-Bretanha e a Alemanha, sobre a remodelação do tratado anglo-alemão de 30 de Agosto de 1898, que de facto tratava da partilha das colónias portuguesas.

5 de Março de 1913

Lisboa informa os embaixadores de Paris e de Berlim da sua adesão ao Acordo Franco-Alemão de 4 de Novembro de 1911, que pôs fim à segunda crise marroquina.

27 de Abril de 1913

Tentativa revolucionária contra o primeiro governo presidido por Afonso Costa. É a primeira vez que republicanos participam num golpe contra um governo republicano.

10 de Junho

Lançamento de bombas sobre o cortejo de homenagem a Camões, que era constituído fundamentalmente por crianças.

3 de Julho de 1913

O governo Afonso Costa retira o direito de voto aos chefes de família analfabetos. O sufrágio universal deixa de existir em Portugal ao contrário de países como a Alemanha, Itália, Áustria, Montenegro, Suécia e Suiça. O número de eleitores é igual ao existente no tempo da monarquia.

7 de Julho de 1913

Tentativa revolucionária com assalto ao Quartel de Marinheiros

20 de Julho de 1913

Tentativas monárquicas de assalto a vários quartéis de Lisboa, contra os quais foram arremessadas bombas explosivas.

31 de Julho de 1913

Por meio de um ofício secreto, o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Edward Grey, informa o seu embaixador em Portugal, Arthur Hardinge, de que o governo da Grã-Bretanha «opor-se-ia à intervenção de qualquer outra potência excepto a Espanha» nos assuntos portugueses.

13 de Agosto de 1913

É rubricado, com vista a posterior assinatura e ratificação, um novo Acordo Anglo-Alemão, que não só renovava as cláusulas do acordo de 1898 sobre as colónias portuguesas, acordo realizado no âmbito do pedido de empréstimo português após a bancarrota, mas também estabelecia uma nova partilha territorial, assim como alargava os fundamentos de intervenção.

14 de Outubro de 1913

O jornal O Dia publica, reproduzindo o Daily Telegraph londrino, as supostas bases do acordo franco-espanhol de Cartagena em que a França permitiria que a Espanha de Afonso XIII, de acordo com uma hipotética base VIII, pudesse reclamar uma intervenção directa em Portugal, motivada pela progressão da «anarquia» no país. 

20 de Outubro de 1913

Nova tentativa de revolução monárquica levada a cabo por civis e liderada por João de Azevedo Coutinho.

 

O texto definitivo do Acordo Anglo-Alemão de Agosto de 1913 é rubricado. O desmembramento e partilha das colónias portuguesas torna-se uma ameaça cada vez mais real.

9 de Dezembro de 1913

O ministro dos negócios estrangeiros alemão, fazendo no Reichtag o discurso anual sobre política externa, torna pública a existência de negociações com a Grã-Bretanha sobre as colónias portuguesas e prevê o êxito das mesmas.

16 de Dezembro de 1913

O embaixador português em Londres, Teixeira Gomes, consegue que o governo britânico se comprometa a não assinar o acordo anglo-alemão sem o requisito prévio da sua publicação. O que não interessava ao governo alemão.

 

Portugal

1914

 

9 de Fevereiro de 1914

O governo chefiado por Bernardino Machado toma posse, tentando ser um governo de reconciliação nacional. O ministro da guerra é o general Pereira d'Eça.

10 de Fevereiro de 1914

O embaixador francês em Londres, Paul Cambon, faz notar à Grã-Bretanha que a publicação do acordo anglo-alemão de Outubro de 1913 sobre as colónias portuguesas, tornava significativa a aproximação anglo-alemã, o que implicava o enfraquecimento da «Entente Cordiale» entre Paris e Londres.

28 de Junho de 1914

O arquiduque Francisco Fernando, herdeiro presuntivo do imperador austro-húngaro Francisco José, é assassinado em Sarajevo, capital da província da Bósnia-Herzegovina, por revolucionários sérvios..

 

Discute-se no parlamento português o orçamento do ministério da Guerra. O ministro confidencia a um dos deputados, sobre o que o exército tinha ou não tinha para assegurar a defesa nacional: «Não digo que tem pouco, digo que não tem nada».

28 de Julho de 1914

A Alemanha acede a assinar o Acordo Anglo-Alemão sobre as colónias portuguesas nos termos pretendidos pela Grã-Bretanha.

 

A Áustria-Hungria declara guerra à Sérvia. A Rússia mobiliza, dando início às movimentações que levarão ao desencadear em 4 de Agosto da Primeira Guerra Mundial.

1 de Agosto de 1914

A Alemanha declara a guerra à Rússia. 

 

A França ordena a mobilização geral dos exércitos.

3 de Agosto de 1914

A Alemanha declara a guerra à França, e invade o Luxemburgo e a Bélgica.

3 de Agosto de 1914

O governo britânico entrega uma carta ao embaixador de Portugal em Londres, instando junto do «Governo português para se abster, por agora, de publicar qualquer declaração de neutralidade».

 

Uma multidão junta-se à porta do Banco de Portugal, para trocar as notas por metal, provocando uma crise financeira temporária. O montante das trocas diárias vai diminuindo ao longo dos dias seguintes.

4 de Agosto de 1914

A Grã-Bretanha declara a guerra à Alemanha, devido à violação do Tratado de 1831 que declarava a Bélgica território neutral perpetuamente.

4 de Agosto de 1914

O governo britânico informa oficialmente o governo português, por intermédio do seu embaixador em Lisboa, que «em caso de ataque da Alemanha contra qualquer possessão portuguesa, o Governo de Sua Majestade considerar-se-á ligado por estipulações da aliança anglo-portuguesa».

7 de Agosto de 1914

Devido ao deflagrar da 1.ª Guerra Mundial, o Congresso da República, reunido extraordinariamente aprova um documento de intenções sobre a condução da política externa. Afirma-se que Portugal não faltaria aos seus compromissos internacionais, sobretudo no que diz respeito à Aliança Luso-Britânica.

12 de Agosto de 1914

É decidida a organização de uma expedição militar com destino a Angola e a Moçambique.

 

É assinado o Tratado de Comércio e Navegação Luso-Britânico.

 

A França e a Grã-Bretanha declaram a guerra à Áustria-Hungria.

 

O Japão declara a guerra à Alemanha.

11 de Setembro de 1914

Partida de Lisboa de uma expedição militar, comandada pelo tenente-coronel Alves Roçadas, com destino a Angola. 

11 de Setembro de 1914

Partida de um corpo expedicionário para Moçambique. O posto fronteiriço de Mazúa, na fronteira de Moçambique com a África Oriental Alemã (actual Tânzania) tinha sido novamente atacado.

10 de Outubro de 1914

O governo britânico, invocando a antiga aliança, «formalmente convida o Governo Português a deixar a sua atitude de neutralidade, e enfileirar activamente ao lado da Grã-Bretanha e dos seus aliados.»

19 de Outubro de 1914

Partida de uma missão militar, composta pelos capitães Ivens Ferraz, Fernando Freiria e Azambuja Martins para conferenciar com o estado-maior britânico.

20 de Outubro de 1914

Movimentos revolucionários monárquicos em Mafra e Bragança. Declaram-se contra a participação de Portugal na Guerra.

 

O Partido Socialista promove uma manifestação de apoio ao Aliados.

5 de Novembro de 1914

Forças militares de reforço da guarnição portuguesa em Angola partem de Lisboa, comandadas pelo capitão-tenente Coriolano da Costa, devido a incidentes graves com tropas alemãs na fronteira.

17 de Novembro de 1914

É proibida a subida ao palco de uma revista, no Teatro da Rua dos Condes, por dar um quadro pouco abonatório do exército português.

23 de Novembro de 1914

Reunião extraordinária do Congresso da República em que o governo é autorizado a participar na guerra ao lado da Grã-Bretanha, e a ceder desde logo 20.000 espingardas com 600 cartuchos cada uma e 56 peças de artilharia pedidas pelo governo britânico.

 

Portugal

1915

 

15 de Janeiro de 1915

O presidente da república, Manuel de Arriaga, reúne os principais dirigentes políticos para ouvir a sua opinião sobre a política seguida pelo Partido Democrático, de Afonso Costa, de empurrar Portugal para a guerra.

20 - 21 de Janeiro de 1915

«Movimento das Espadas». A maior parte dos oficiais da guarnição de Lisboa, chefiados por Machado Santos e Pimenta de Castro,  protesta por considerar que a demissão de um seu colega, o major João Craveiro Lopes, foi efectuada por motivos políticos. 

25 de Janeiro de 1915

O presidente da república, Manuel de Arriaga, demite o governo de Afonso Costa e encarrega, em ditadura, isto é, sem que o Congresso tivesse em sessão, o general Pimenta de Castro de formar um novo governo com intenção de preparar eleições. A participação dos militares nos assuntos políticos torna-se cada vez maior. 

3 de Fevereiro de 1915

Mais expedições militares partem para Angola, para fazer frente aos ataques constantes das forças alemãs.

4 de Março

Os deputados do Partido Democrático de Afonso Costa são proibidos de entrar no Parlamento. Os deputados e senadores democráticos reunidos em Loures, no Palácio da Mitra, aprovam uma moção declarando o ministério fora-da-lei.

22 de Abril de 1915

Os vereadores da Câmara Municipal de Lisboa são intimados a ceder o lugar à Comissão Administrativa nomeado pelo governo. São presos por terem recusados.

10 de Maio de 1915

Grandes manifestações republicanas em Lisboa.

14 de Maio

Em Lisboa, grupos tumultuosos de pessoas assaltam armazéns e padarias à procura de comida. Aproveitando a situação republicanos civis e militares levam a efeito um movimento revolucionário que custa centenas de mortos e feridos.

15 de Maio de 1915

O governo ditatorial de Pimenta de Castro é demitido, sendo nomeado João Chagas para formar o novo ministério. O general Norton de Matos é escolhido para ministro da Guerra.

17 de Maio de 1915

Devido ao atentado no Entroncamento a João Chagas, que fica gravemente ferido e cego de um olho, José Ribeiro de Castro é nomeado chefe do governo.

29 de Maio de 1915

Teófilo Braga é nomeado presidente da república interino, devido à demissão no dia 15 de Maio de Manuel de Arriaga.

13 de Junho de 1915

O Partido Democrático ganha as eleições legislativas, obtendo a maioria absoluta.

1 de Julho de 1915

Nova Lei Eleitoral. Os militares no activo passam a ter direito de voto. Os analfabetos continuam a não poder votar.

4 de Agosto de 1915

O governo é autorizado a contrair dois empréstimos, destinados a fazer face ao aumento das despesas com as forças expedicionárias enviadas para as colónias.

29 de Novembro de 1915

Afonso Costa, restabelecido de uma fractura do crânio, provocada pela saída precipitada de um carro eléctrico devido ao receio de um atentado bombista, é nomeado chefe do governo, constituído unicamente por membros do Partido Democrático.

 

Portugal

1916

 

17 de Fevereiro de 1916

O governo português recebe um pedido do governo britânico «em nome da aliança» de «requisição urgente de todos os barcos inimigos estacionados em portos portugueses».

23 de Fevereiro de 1916

Portugal apreende todos os navios mercantes alemães fundeados nos Portos portugueses, a fim de serem colocados ao serviço da causa comum luso-britânica, numa operação dirigida pelo capitão de fragata Leote do Rego, comandante da Divisão Naval de Defesa.

Na realização deste trabalho, por falta de conhecimentos próprios suficientes para uma realização com o mínimo de valor científico , fiz intensas e exaustivas buscas.

Passo a descrever todas aquelas, em que de uma forma mais demorada e pormenorizada me baseei. 

Tal como acima refiro, apenas enumero aquelas que julgo principais, pois, de muitas outras me socorri, e, às quais peço sinceras desculpas pelo facto de aqui não as descrever; mas o trabalho tornar-se- ia demasiado longo e maçador.

Fontes principais a que eu José Nogueira dos Reis recorri:

Nuno Severiano Teixeira, O Poder e a Guerra, 1914 -1918. Objectivos Nacionais e Estratégias Políticas na Entrada de Portugal na Grande Guerra, Lisboa, Estampa («Histórias de Portugal, 25»), 1996;
António Simões Rodrigues (coord.), História de Portugal em Datas, 3.ª ed., Lisboa, Temas & Debates, 2000 (1.ª ed., 1997);
General Ferreira Martins, História do Exército Português, Lisboa, Inquérito, 1945.

o seguinte bloco de textos incide sobre as invasões Francesas. António Pedro Vicente analisa como as relações entre a França, a Espanha, a Inglaterra e Portugal, no rescaldo da revolução Francesa, vão determinar a evolução dos acontecimentos para um cenário de guerra. Depois da condenação de Luís XVI  à guilhotina, a Inglaterra decide cortar relações com a França. Portugal alia-se a Espanha com o objectivo de auxilio mútuo - e mais tarde com a Inglaterra - face ao perigo Francês. A guerra não tarda. Espanha e França enfrentam-se, e Portugal participa com 6000 homens nas campanhas do Rossilhão e da Catalunha. A neutralidade portuguesa no conflito revela-se impossível. Envolvido no jogo das potências europeias, a política de  agradar a «gregos e troianos» produz  consequências gravosas, sofrendo Portugal a 1ª invasão no Alentejo em 1801 (guerra das laranjas). Curvado perante uma paz imposta. o país perde Olivença para a Espanha e a Guiana para a França, para além de arcar com outras onerosas condições monetárias. Mas a paz ainda não tinha sido alcançada. Mais três (3) invasões no território nacional e duas (2) alianças europeias se sucedem e só após um longo período de tutela governativa inglesa, consequência da aliança de tropas portuguesas e inglesas para expulsar os franceses (vencidos nas batalhas de Roliça e do Vimeiro em 1808 e, depois, na batalha do Buçaco em 1810) , se redimia a «tormenta napoleónica»: nascia o Liberalismo em Portugal. Ora os fenómenos de guerra trazem consigo um potencial de transformação considerável. As invasões francesas provocaram esse efeito em Portugal, como refere o texto de Jorge Pedreira, «As invasões francesas e o seu impacto na economia e sociedade»: o comércio paralisou e as carências provocaram naturais conflitos sociais. (...) A intervenção militar dos Portugueses em conflitos de grande escala volta a registar-se com a primeira grande guerra. Porquê e como foi Portugal para a guerra de 1914-1918?

Portugal entra no primeiro(1º) conflito mundial como país beligerante por três(3) razões essenciais: 1- Para afastar o perigo espanhol no quadro peninsular, reforçando a tradicional aliança com a Inglaterra com o objectivo de enfraquecer a relação hispano-britânica, bem como de assegurar no pós-guerra «um lugar no concerto das nações e o reconhecimento internacional que desde a implantação da República tinha de jure, mas lhe faltava de facto»; 2- Para defender o império colonial português, cobiçado pelas grandes potências europeias, nomeadamente a Inglaterra, a França e a Alemanha; 3- Para consolidar e legitimar o regime republicano, trespassado por clivagens sociais e políticas tão profundas que impediam a sua legitimação nacional.

A instabilidade e a violência políticas da I República são factores de ordem interna que- conjuntamente com os de ordem externa- ajudam a explicar o que as duas(2) primeiras razões da intervenção no conflito falham em esclarecer: «a escolha do teatro das operações». Severiano Teixeira argumenta que a entrada de Portugal na guerra é o resultado(para além da questão ibérica) da estratégia radical e intervencionista do Partido Democrático e de uma combinação especifica entre os factores de ordem interna e externa expressa no aproveitamento, para objectivos domésticos, da própria conjuntura internacional: «só uma ameaça externa e uma intervenção militar na guerra em larga escala poderiam justificar o sacrifício de todas as fracturas e facções internas em função do interesse da unidade nacional». Tratava-se da defesa interna e externa da República, conforme o próprio discurso do Partido Democrático. Consolidava-se o regime. Reforçava-se o partido.

E como foi Portugal para a guerra? Desde logo, os ataques alemães verificados em Moçambique em Agosto de 1914 exigiam uma resposta militar portuguesa, que foi efectuada. Poucos meses mais tarde o conflito alastra a Angola, através de uma primeira iniciativa britânica, seguida de uma invasão germânica. Estas são as duas(2) primeiras frentes de guerra do país. Mas nem por isso o estatuto de «neutralidade» dos Portugueses no conflito foi abandonado. E, no entanto, Portugal estava em guerra, ainda que numa zona periférica e não decisiva. Mas a neutralidade irá dar lugar à beligerância.

(...)É exactamente sobre a vida quotidiana dos soldados Portugueses, melhor, do Corpo Expedicionário Português (CEP) nas trincheiras da Flandres que incide o texto de Isabel Pestana Marques, «os Portugueses nas trincheiras : vivências comportamentais». As condições adversas em que os soldados viveram os anos da guerra repercutiram-se no moral do CEP. Para a autora, existe um paralelo entre o nível moral das tropas e o seu êxito na campanha militar: «A existência de alto ou baixo moral nos combatentes decide o resultado das batalhas». Também mas não só. De qualquer forma, sendo característico da primeira guerra mundial o factor «desmobilização psicológica», há que concluir que as difíceis condições de existência dos soldados portugueses nas trincheiras da Flandres contribuíram para a tragédia de L Lys? 

 

José Nogueira dos Reis