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História/Filosofia1
José Nogueira dos Reis

Santa Eugénia Alijó CRONOLOGIA DA PARTICIPAÇÃO PORTUGUESA NAPRIMEIRA GUERRA MUNDIAL. ANTECEDENTES, DE 1910 A 1916 1910 5 de Outubro de 1910 Instauração do regime republicano. O Exército, sobretudo o seu corpo de oficiais, não participou, de facto, nem a favor nem contra a insurreição. 6 de Outubro de 1910 O coronel de artilharia Correia Barreto é nomeado ministro da Guerra do Governo Provisório. Era um dos oficiais mais graduados a ter apoiado o novo regime político. Estará em funções até 3 de Setembro de 1911. 17 de Outubro de 1910 Criação de uma comissão para estudar a reorganização do exército. 22 de Outubro de 1910 O Brasil e a Argentina são os primeiros países a reconhecer oficialmente a República Portuguesa. 1911 2 de Março de 1911 Lei do recrutamento. Instaura teoricamente, mas não de facto, o recrutamento universal. O sistema oficial das remissões - pagamento de um substituto - acaba, mas é substituído pelo sistema de pagamento para se ficar «não apto». 3 de Maio de 1911 Publicação do Decreto que organiza a Guarda Nacional Republicana. A criação da Guarda tinha como objectivo retirar ao exército, encarado como a Nação em Armas, a função de defesa do regime, e de manutenção da ordem pública. Esta divisão de tarefas nunca foi posta em prática. 25 de Maio de 1911 Decreto de reorganização do Exército. Previa a existência de 8 divisões e 1 brigada de cavalaria, com um quadro permanente de 1.773 oficiais e 9.926 praças. O serviço militar devia ser geral e obrigatório. Os mancebos passavam por uma escola de recruta, de 15 a 30 semanas, sendo chamados quase todos os anos (7 em 10) para as escolas de repetição, que duravam 2 semanas. Criavam-se também escolas de quadros, que formarão os futuros oficiais milicianos. 19 de Junho 1911 Os Estados Unidos da América reconhecem a República Portuguesa, no dia da abertura da Congresso, sendo a primeira potência com algum significado a fazê-lo. 24 de Agosto de 1911 A França reconhece a República portugueb

Santa Eugénia

Alijó

CRONOLOGIA DA PARTICIPAÇÃO PORTUGUESA NA
PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL.

ANTECEDENTES,  DE 1910 A 1916

 

1910

 

5 de Outubro de 1910

Instauração do regime republicano. O Exército, sobretudo o seu corpo de oficiais, não participou, de facto, nem a favor nem contra a insurreição.

6 de Outubro de 1910

O coronel de artilharia Correia Barreto é nomeado ministro da Guerra do Governo Provisório. Era um dos oficiais mais graduados a ter apoiado o novo regime político. Estará em funções até 3 de Setembro de 1911.

17 de Outubro de 1910

Criação de uma comissão para estudar a reorganização do exército.

22 de Outubro de 1910

O Brasil e a Argentina são os primeiros países a reconhecer  oficialmente a República Portuguesa.

 

1911

 

2 de Março de 1911

Lei do recrutamento. Instaura teoricamente, mas não de facto, o recrutamento universal. O sistema oficial das remissões - pagamento de um substituto - acaba, mas é substituído pelo sistema de pagamento para se ficar «não apto».

3 de Maio de 1911

Publicação do Decreto que organiza a Guarda Nacional Republicana. A criação da Guarda tinha como objectivo retirar ao exército, encarado como a Nação em Armas, a função de defesa do regime, e de manutenção da ordem pública. Esta divisão de tarefas nunca foi posta em prática.

25 de Maio de 1911

Decreto de reorganização do Exército. Previa a existência de 8 divisões e 1 brigada de cavalaria, com um quadro permanente de 1.773 oficiais e 9.926 praças. O serviço militar devia ser geral e obrigatório. Os mancebos passavam por uma escola de recruta, de 15 a 30 semanas, sendo chamados quase todos os anos (7 em 10) para as escolas de repetição, que duravam 2 semanas. Criavam-se também escolas de quadros, que formarão os futuros oficiais milicianos. 

19 de Junho 1911

Os Estados Unidos da América reconhecem a República Portuguesa, no dia da abertura da Congresso, sendo a primeira potência com algum significado a fazê-lo.

24 de Agosto de 1911

A França reconhece a República portuguesa, no dia da eleição do Presidente da República, sendo o primeiro país europeu a fazê-lo

3 de Setembro de 1911

Nomeação do primeiro Governo Constitucional da República. O general Pimenta de Castro é ministro da Guerra.

11 de Setembro de 1911

Reconhecimento conjunto da República portuguesa pelas grandes potências europeias, todas com um sistema político monárquico: Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha, Itália e Áustria-Hungria.

5 de Outubro de 1911

Primeira incursão monárquica, comandada por Paiva Couceiro, em Trás-os-Montes. O ministro da guerra, general Pimenta de Castro, será exonerado dia 8 de Outubro seguinte, devido a divergências com João Chagas, presidente do Conselho de Ministros. Será substituído pelo major Alberto da Silveira.

4 de Novembro de 1911

O governo de Angola pede auxílio a Lisboa para pôr cobro à rebelião instalada no planalto de Benguela, assim como no Bié, Lunda e Norte do Cassai

 

1912

 

31 de Janeiro de 1912

Forças militares e da carbonária tomam de assalto a União dos Sindicatos. Os presos são enviados para bordo da fragata D. Fernando e do transporte Pêro d'Alenquer.

7 de Fevereiro de 1912

O governo britânico desmente os boatos, postos a circular pelo embaixador português Teixeira Gomes, que davam como certo um acordo entre o Reino Unido e a Alemanha para divisão das colónias portuguesas de África.

15 de Abril de 1912

O Presidente do Ministério e ministro dos negócios estrangeiros, Augusto de Vasconcelos, garantiu na Câmara dos Deputados não existir nenhum tratado entre a Inglaterra e a Alemanha «de natureza a ameaçar a independência, a integridade e os interesses de Portugal ou de uma parte qualquer dos seus domínios.»

6 e 7 de Julho de 1912

As forças monárquicas de Paiva Couceiro entram, pela segunda vez, em Portugal tentando tomar a praça de Valença, o que não conseguem. Entrarão no dia seguinte em Trás-os-Montes tentando capturar Chaves. 

8 de Julho de 1912

Combate de Chaves. Os monárquicos são completamente desbaratados, deixando alguns mortos e feridos no campo.

10 de Julho de 1912

Os projectos de construção dos caminhos-de-ferro de Benguela, em Angola, e da Zambézia, em Moçambique, são aprovados.

8 de Agosto de 1912

O governador Norton de Matos funda a cidade de Huambo em Angola.

10 de Novembro de 1912

Afonso Costa, discursando em Santarém, afirma que «neste momento, em que vai talvez dar-se uma conflagração europeia ... nós não sabemos ainda qual terá de ser o nosso papel, porque não está definida verdadeiramente a natureza, a extensão, os efeitos da nossa aliança com a Inglaterra.»

18 de Dezembro

Um relatório secreto do Estado-Maior da Marinha britânica, conclui que Portugal não tinha para a Grã-Bretanha grande valor estratégico, desde que os seus  territórios atlânticos não caíssem nas mãos de potências hostis.

 

1913

 

9 de Janeiro

Tomada de posse do 1.º governo Afonso Costa

21 de Fevereiro de 1913

Confirmam-se as suspeitas de existência de negociações, entre a Grã-Bretanha e a Alemanha, sobre a remodelação do tratado anglo-alemão de 30 de Agosto de 1898, que de facto tratava da partilha das colónias portuguesas.

5 de Março de 1913

Lisboa informa os embaixadores de Paris e de Berlim da sua adesão ao Acordo Franco-Alemão de 4 de Novembro de 1911, que pôs fim à segunda crise marroquina.

27 de Abril de 1913

Tentativa revolucionária contra o primeiro governo presidido por Afonso Costa. É a primeira vez que republicanos participam num golpe contra um governo republicano.

10 de Junho de 1913

Lançamento de bombas sobre o cortejo de homenagem a Camões, que era constituído fundamentalmente por crianças.

3 de Julho de 1913

O governo Afonso Costa retira o direito de voto aos chefes de família analfabetos. O sufrágio universal deixa de existir em Portugal ao contrário de países como a Alemanha, Itália, Áustria, Montenegro, Suécia e Suiça. O número de eleitores é igual ao existente no tempo da monarquia.

7 de Julho de 1913

Tentativa revolucionária com assalto ao Quartel de Marinheiros

20 de Julho de 1913

Tentativas monárquicas de assalto a vários quartéis de Lisboa, contra os quais foram arremessadas bombas explosivas.

31 de Julho de 1913

Por meio de um ofício secreto, o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Edward Grey, informa o seu embaixador em Portugal, Arthur Hardinge, de que o governo da Grã-Bretanha «opor-se-ia à intervenção de qualquer outra potência excepto a Espanha» nos assuntos portugueses.

13 de Agosto de 1913

É rubricado, com vista a posterior assinatura e ratificação, um novo Acordo Anglo-Alemão, que não só renovava as cláusulas do acordo de 1898 sobre as colónias portuguesas, acordo realizado no âmbito do pedido de empréstimo português após a bancarrota, mas também estabelecia uma nova partilha territorial, assim como alargava os fundamentos de intervenção.

14 de Outubro de 1913

O jornal O Dia publica, reproduzindo o Daily Telegraph londrino, as supostas bases do acordo franco-espanhol de Cartagena em que a França permitiria que a Espanha de Afonso XIII, de acordo com uma hipotética base VIII, pudesse reclamar uma intervenção directa em Portugal, motivada pela progressão da «anarquia» no país. 

20 de Outubro de 1913

Nova tentativa de revolução monárquica levada a cabo por civis e liderada por João de Azevedo Coutinho.

 

O texto definitivo do Acordo Anglo-Alemão de Agosto de 1913 é rubricado. O desmembramento e partilha das colónias portuguesas torna-se uma ameaça cada vez mais real.

9 de Dezembro de 1913

O ministro dos negócios estrangeiros alemão, fazendo no Reichtag o discurso anual sobre política externa, torna pública a existência de negociações com a Grã-Bretanha sobre as colónias portuguesas e prevê o êxito das mesmas.

16 de Dezembro de 1913

O embaixador português em Londres, Teixeira Gomes, consegue que o governo britânico se comprometa a não assinar o acordo anglo-alemão sem o requisito prévio da sua publicação. O que não interessava ao governo alemão.

 

1914

 

9 de Fevereiro de 1914

O governo chefiado por Bernardino Machado toma posse, tentando ser um governo de reconciliação nacional. O ministro da guerra é o general Pereira d'Eça.

10 de Fevereiro de 1914

O embaixador francês em Londres, Paul Cambon, faz notar à Grã-Bretanha que a publicação do acordo anglo-alemão de Outubro de 1913 sobre as colónias portuguesas, tornava significativa a aproximação anglo-alemã, o que implicava o enfraquecimento da «Entente Cordiale» entre Paris e Londres.

28 de Junho de 1914

O arquiduque Francisco Fernando, herdeiro presuntivo do imperador austro-húngaro Francisco José, é assassinado em Sarajevo, capital da província da Bósnia-Herzegovina, por revolucionários sérvios..

 

Discute-se no parlamento português o orçamento do ministério da Guerra. O ministro confidencia a um dos deputados, sobre o que o exército tinha ou não tinha para assegurar a defesa nacional: «Não digo que tem pouco, digo que não tem nada».

28 de Julho de 1914

A Alemanha acede a assinar o Acordo Anglo-Alemão sobre as colónias portuguesas nos termos pretendidos pela Grã-Bretanha.

 

A Áustria-Hungria declara guerra à Sérvia. A Rússia mobiliza, dando início às movimentações que levarão ao desencadear em 4 de Agosto da Primeira Guerra Mundial.

1 de Agosto de 1914

A Alemanha declara a guerra à Rússia. 

 

A França ordena a mobilização geral dos exércitos.

3 de Agosto de 1914

A Alemanha declara a guerra à França, e invade o Luxemburgo e a Bélgica.

 

O governo britânico entrega uma carta ao embaixador de Portugal em Londres, instando junto do «Governo português para se abster, por agora, de publicar qualquer declaração de neutralidade».

 

Uma multidão junta-se à porta do Banco de Portugal, para trocar as notas por metal, provocando uma crise financeira temporária. O montante das trocas diárias vai diminuindo ao longo dos dias seguintes.

4 de Agosto de 1914

A Grã-Bretanha declara a guerra à Alemanha, devido à violação do Tratado de 1831 que declarava a Bélgica território neutral perpetuamente.

 

O governo britânico informa oficialmente o governo português, por intermédio do seu embaixador em Lisboa, que «em caso de ataque da Alemanha contra qualquer possessão portuguesa, o Governo de Sua Majestade considerar-se-á ligado por estipulações da aliança anglo-portuguesa».

7 de Agosto de 1914

Devido ao deflagrar da 1.ª Guerra Mundial, o Congresso da República, reunido extraordinariamente aprova um documento de intenções sobre a condução da política externa. Afirma-se que Portugal não faltaria aos seus compromissos internacionais, sobretudo no que diz respeito à Aliança Luso-Britânica.

12 de Agosto de 1914

É decidida a organização de uma expedição militar com destino a Angola e a Moçambique.

 

É assinado o Tratado de Comércio e Navegação Luso-Britânico.

 

A França e a Grã-Bretanha declaram a guerra à Áustria-Hungria.

 

O Japão declara a guerra à Alemanha.

11 de Setembro de 1914

Partida de Lisboa de uma expedição militar, comandada pelo tenente-coronel Alves Roçadas, com destino a Angola. 

 

Partida de um corpo expedicionário para Moçambique. O posto fronteiriço de Mazúa, na fronteira de Moçambique com a África Oriental Alemã (actual Tânzania) tinha sido novamente atacado.

10 de Outubro de 1914

O governo britânico, invocando a antiga aliança, «formalmente convida o Governo Português a deixar a sua atitude de neutralidade, e enfileirar activamente ao lado da Grã-Bretanha e dos seus aliados.»

19 de Outubro de 1914

Partida de uma missão militar, composta pelos capitães Ivens Ferraz, Fernando Freiria e Azambuja Martins para conferenciar com o estado-maior britânico.

20 de Outubro de 1914

Movimentos revolucionários monárquicos em Mafra e Bragança. Declaram-se contra a participação de Portugal na Guerra.

 

O Partido Socialista promove uma manifestação de apoio ao Aliados.

5 de Novembro de 1914

Forças militares de reforço da guarnição portuguesa em Angola partem de Lisboa, comandadas pelo capitão-tenente Coriolano da Costa, devido a incidentes graves com tropas alemãs na fronteira.

17 de Novembro de 1914

É proibida a subida ao palco de uma revista, no Teatro da Rua dos Condes, por dar um quadro pouco abonatório do exército português.

23 de Novembro de 1914

Reunião extraordinária do Congresso da República em que o governo é autorizado a participar na guerra ao lado da Grã-Bretanha, e a ceder desde logo 20.000 espingardas com 600 cartuchos cada uma e 56 peças de artilharia pedidas pelo governo britânico.

 

1915

 

15 de Janeiro de 1915

O presidente da república, Manuel de Arriaga, reúne os principais dirigentes políticos para ouvir a sua opinião sobre a política seguida pelo Partido Democrático, de Afonso Costa, de empurrar Portugal para a guerra.

20 - 21 de Janeiro de 1915

«Movimento das Espadas». A maior parte dos oficiais da guarnição de Lisboa, chefiados por Machado Santos e Pimenta de Castro,  protesta por considerar que a demissão de um seu colega, o major João Craveiro Lopes, foi efectuada por motivos políticos. 

25 de Janeiro de 1915

O presidente da república, Manuel de Arriaga, demite o governo de Afonso Costa e encarrega, em ditadura, isto é, sem que o Congresso tivesse em sessão, o general Pimenta de Castro de formar um novo governo com intenção de preparar eleições. A participação dos militares nos assuntos políticos torna-se cada vez maior. 

3 de Fevereiro de 1915

Mais expedições militares partem para Angola, para fazer frente aos ataques constantes das forças alemãs.

4 de Março de 1915

Os deputados do Partido Democrático de Afonso Costa são proibidos de entrar no Parlamento. Os deputados e senadores democráticos reunidos em Loures, no Palácio da Mitra, aprovam uma moção declarando o ministério fora-da-lei.

22 de Abril de 1915

Os vereadores da Câmara Municipal de Lisboa são intimados a ceder o lugar à Comissão Administrativa nomeado pelo governo. São presos por terem recusados.

10 de Maio de 1915

Grandes manifestações republicanas em Lisboa.

14 de Maio de 1915

Em Lisboa, grupos tumultuosos de pessoas assaltam armazéns e padarias à procura de comida. Aproveitando a situação republicanos civis e militares levam a efeito um movimento revolucionário que custa centenas de mortos e feridos.

15 de Maio de 1915

O governo ditatorial de Pimenta de Castro é demitido, sendo nomeado João Chagas para formar o novo ministério. O general Norton de Matos é escolhido para ministro da Guerra.

17 de Maio de 1915

Devido ao atentado no Entroncamento a João Chagas, que fica gravemente ferido e cego de um olho, José Ribeiro de Castro é nomeado chefe do governo.

29 de Maio de 1915

Teófilo Braga é nomeado presidente da república interino, devido à demissão no dia 15 de Maio de Manuel de Arriaga.

13 de Junho de 1915

O Partido Democrático ganha as eleições legislativas, obtendo a maioria absoluta.

1 de Julho de 1915

Nova Lei Eleitoral. Os militares no activo passam a ter direito de voto. Os analfabetos continuam a não poder votar.

4 de Agosto de 1915

O governo é autorizado a contrair dois empréstimos, destinados a fazer face ao aumento das despesas com as forças expedicionárias enviadas para as colónias.

29 de Novembro de 1915

Afonso Costa, restabelecido de uma fractura do crânio, provocada pela saída precipitada de um carro eléctrico devido ao receio de um atentado bombista, é nomeado chefe do governo, constituído unicamente por membros do Partido Democrático.

 

1916

 

17 de Fevereiro de 1916

O governo português recebe um pedido do governo britânico «em nome da aliança» de «requisição urgente de todos os barcos inimigos estacionados em portos portugueses».

23 de Fevereiro de 1916

Portugal apreende todos os navios mercantes alemães fundeados nos Portos portugueses, a fim de serem colocados ao serviço da causa comum luso-britânica, numa operação dirigida pelo capitão de fragata Leote do Rego, comandante da Divisão Naval de Defesa.

Fontes principais:

Nuno Severiano Teixeira, O Poder e a Guerra, 1914 -1918. Objectivos Nacionais e Estratégias Políticas na Entrada de Portugal na Grande Guerra, Lisboa, Estampa («Histórias de Portugal, 25»), 1996;
António Simões Rodrigues (coord.), História de Portugal em Datas, 3.ª ed., Lisboa, Temas & Debates, 2000 (1.ª ed., 1997);
General Ferreira Martins, História do Exército Português, Lisboa, Inquérito,

 

JNReis1@clix.pt

 

 

José Nogueira dos Reis - CRONOLOGIA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - Janeiro 6. Proclamação, pelo governo francês, de que em caso de guerra cooperaria com a Grã-Bretanha. A proclamação recíproca foi feita pelo governo britânico em 6 de Fevereiro. 11 a 13. Neville Chamberlain, primeiro ministro britânico, e Lord Halifax, ministro dos Negócios Estrangeiros, visitam Roma e mantêm conversações com Mussolini e Ciano.26. As tropas nacionalistas conquistam Barcelona.28. A Bulgária exige a revisão do Tratado de Neuilly, e a reintegração dos territórios atribuídos a outros países no fim da 1.ª Guerra Mundial. Fevereiro10. O Japão ocupa a ilha de Hainan, na Indochina francesa. É o primeiro território colonial europeu anexado pelo Japão.12. Hitler propõe a Vojtech Tuka e a Franz Karmasin, dirigentes separatistas eslovacos de vista a Berlim, que o governo autónomo eslovaco de Monsenhor Jozef Tiso declare a independência, e se separe da Checo-Eslováquia.28. A Grã-Bretanha e a França reconhecem a Junta de Burgos como representante legítima do estado espanhol. Março2. Início do Pontificado de Pio XII.10. O presidente da Checo-Eslováquia, Emil Hacha, demite Tiso e dois ministros por "actividades separatistas prejudiciais à unidade do Estado".14. A Eslováquia proclama a independência, separando-se da federação Checo-Eslovaca.15. As tropas alemãs entram em Praga, e ocupam a Boémia e a Morávia, enquanto a Hungria ocupa a Ruténia.16. Hitler proclama que a "Checo-Eslováquia deixou de existir".17. A Grã-Bretanha e a França protestam contra a violação do Acordo de Munique, de 1938, "não reconhecendo a validade da nova situação criada na Checo-Eslováquia pela acção da [Alemanha]."Em Portugal: Portugal e a Espanha nacionalista, representada pela Junta de Burgos e pelo Nuevo Estado dirigido por Franco, assinam em Lisboa um Tratado de Amizade e Não Agressão. 18. Maxim Litvinov, comissário soviético para os negócios estrangeiros, propõe um acordo entre seis potências - França, Grã-Bretanha, Polónia, União Soviética, Roménia e Turquia - para pr.b

Cronologia da Segunda Guerra Mundial, bem como Lindíssimas Fotografias do Concelho de Alijó

 

 

José Nogueira dos Reis - CRONOLOGIA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


Stukas do tipo Ju 87 depois do ataque

1939

Janeiro

6. Proclamação, pelo governo francês, de que em caso de guerra cooperaria com a Grã-Bretanha. A  proclamação recíproca foi feita pelo governo britânico em 6 de Fevereiro.

11 a 13. Neville Chamberlain, primeiro ministro britânico, e Lord Halifax, ministro dos Negócios Estrangeiros, visitam Roma e mantêm conversações com Mussolini e Ciano.

26. As tropas nacionalistas conquistam Barcelona.

28. A Bulgária exige a revisão do Tratado de Neuilly, e a reintegração dos territórios atribuídos a outros países no fim da 1.ª Guerra Mundial.

 

Fevereiro

10. O Japão ocupa a ilha de Hainan, na Indochina francesa. É o primeiro território colonial europeu anexado pelo Japão.

12. Hitler propõe a Vojtech Tuka e a Franz Karmasin, dirigentes separatistas eslovacos de vista a Berlim, que o governo autónomo eslovaco de Monsenhor Jozef Tiso declare a independência, e se separe da Checo-Eslováquia.

28. A Grã-Bretanha e a França reconhecem a Junta de Burgos como representante legítima do estado espanhol.

 

Março

2. Início do Pontificado de Pio XII.

10. O presidente da Checo-Eslováquia, Emil Hacha, demite Tiso e dois ministros por «actividades separatistas prejudiciais à unidade do Estado».

14. A Eslováquia proclama a independência, separando-se da federação Checo-Eslovaca.

15. As tropas alemãs entram em Praga, e ocupam a Boémia e a Morávia, enquanto a Hungria ocupa a Ruténia.

16. Hitler proclama que a "Checo-Eslováquia deixou de existir".

17. A Grã-Bretanha e a França protestam contra a violação do Acordo de Munique, de 1938, "não reconhecendo a validade da nova situação criada na Checo-Eslováquia pela acção da [Alemanha]."

Em Portugal:
Portugal e a Espanha nacionalista, representada pela Junta de Burgos e pelo Nuevo Estado dirigido por Franco, assinam em Lisboa um Tratado de Amizade e Não Agressão.

18. Maxim Litvinov, comissário soviético para os negócios estrangeiros, propõe um acordo entre seis potências - França, Grã-Bretanha, Polónia, União Soviética, Roménia e Turquia - para prevenir uma agressão futura por parte da Alemanha. A proposta é considerada prematura.

23. A Alemanha ocupa o porto de Memel, cedido pela Lituânia após um ultimato do governo de Hitler.

26. As forças nacionalistas conquistam Madrid.

27. A Junta de Burgos, chefiada pelo general Franco, adere ao Pacto Antikomintern.

31. A Grã-Bretanha garante à Polónia o seu apoio em caso de guerra.

 

Abril

1. Após a tomada de Madrid as forças nacionalistas lideradas pelo general Franco vencem os republicanos. Termina assim a Guerra Civil Espanhola, que tinha tido início em 1936.

6 e 7. Mussolini apresenta um ultimato à Albânia, e ocupa-a logo de seguida. A Albãnia torna-se um protectorado italiano.

13. A França, assim como a Grâ-Bretanha, garante assistência à Grécia e à Roménia, em caso de agressão.

14.

Em Portugal:
Portugal recusa o convite, apresentado pelo embaixador italiano em Lisboa, para aderir ao "Pacto Anti-Komintern", aliança da Alemanha, Itália e Japão contra a "ameaça comunista".

17. Começam as conversações diplomáticas entre a Alemanha e a União Soviética.

27. O Parlamento britânico aprova a lei que reintroduz o recrutamento militar. 

28. Hitler, em discurso no Reichstag, denuncia o Acordo Naval Anglo-Alemão, de Junho de 1935 assim como o Tratado de Não-Agressão Polaco-Alemão de 1934.

 

Maio

3. Vyacheslav Molotov é nomeado comissário dos negócios estrangeiros, em substituição de Litvinov, defensor de uma política de cooperação com as potências ocidentais.

11. O exército japonês ataca a União Soviética, tentando conquistar territórios próximos da fronteira com a Mongólia.

19. Realiza-se em Madrid o Desfile da Vitória das tropas nacionalistas. Entre os cerca de 140.000 militares participantes desfilam os Viriatos, contingente de voluntários portugueses.

21 a 28.

Em Portugal:
Realiza-se em Lisboa o 1.º Congresso da Mocidade Portuguesa.

22. Assinatura do Pacto de Aço, entre a Alemanha e a Itália, consagrando a aliança militar entre as duas potências.

23. Hitler ordena o planeamento da invasão da Polónia, numa reunião na Chancelaria com os Comandantes dos três ramos da Wehrmacht e respectivos Chefes de Estado-Maior.

 

Julho

3. A RAF Força aéra britânica -, começa a voar para a França.

18. O presidente Roosevelt pede ao Congresso que reveja a legislação que impunha aos Estados Unidos uma postura de neutralidade perante todos os conflitos militares que não pusessem em causa os seus interesses estratégicos.

23. Molotov propõe o envio de uma missão militar Franco-Britânica à União Soviética.

26. Os Estados Unidos da América denunciam o acordo comercial de 1911 com o Japão, tentando limitar os projectos expansionistas deste país.

 

Agosto

11 e 12. Conversações entre Hitler, Ribbentrop, ministro dos negócios Estrangeiros alemão, e Ciano, o ministro italiano.

11. A missão militar Franco-Britânica chega a Moscovo.

14. Hitler conferencia com os generais von Brauchitsch, comandante do Exército, e Halder, chefe do Estado-Maior.

17.

Em Portugal:
A Grã-Bretanha assina um acordo de cooperação militar com Portugal, aceitando apoiar directamente o esforço de rearmamento e modernização das forças armadas portuguesas. O acordo só começará a ser cumprido a partir de Setembro de 1943.

20. A Polónia rejeita a possibilidade de cooperação militar com a União Soviética, em caso de guerra com a Alemanha. Telegrama de Hitler para Estaline, pedindo a marcação de uma reunião, com o ministro dos negócios estrangeiros alemão, von Ribbentrop, para dia 22 ou 23.

22. Nova conferência militar, no Berghof, em Berchtesgaden, residência de férias de Hitler, no Sul da Alemanha.

23. O Pacto Germano-Soviético de Não-Agressão é assinado em Moscovo. O Pacto incluía um protocolo secreto que dividia a Europa oriental em zonas de influência Alemã e Soviética.

25. O Pacto Anglo-Polaco de Assistência Mútua é assinado em Londres. A invasão da Polónia é adiada.

31. Hitler dá a ordem para o ataque à Polónia.

Termina o ataque japonês à União Soviética, com a vitória do Exército Vermelho, começado em 11 de Maio.

 

Setembro

1. Invasão da Polónia. Às 4h e 45m as tropas alemãs atacam sem aviso prévio. A França e a Grã-Bretanha decidem mobilizar.

2.

Em Portugal:
O governo reafirma a posição de neutralidade de Portugal na guerra que opõe a Alemanha e a Polónia, por meio da Nota Oficiosa Neutralidade portuguesa no conflito europeu.

3. Declaração de Guerra da França e da Grã-Bretanha à Alemanha.

7 a 13. A ofensiva francesa no Saar, falha o objectivo de diminuir a pressão alemã sobre a Polónia, O  custo da operação foi de 27 mortos, 22 feridos, 28 desaparecidos e 27 aviões, dos quais 18 de reconhecimento.

10 a 17. Batalha do Bzura. Combates muito duros entre o exército polaco, cercado, e o 8.º exército alemão.

17. O governo soviético apresenta uma nota, considerando que o "Estado Polaco e o seu governo deixaram de existir", e que por isso os tratados existentes entre os dois países deixaram de ser válidos. A União Soviética invade a Polónia.

18. O porta-aviões britânico Courageous é afundado no canal de Bristol. O governo polaco foge para a Roménia, pedindo asilo político.

21. Reinhard Heydrich, chefe da Gestapo, informa os comandantes das SS na Polónia que os polacos de origem judaica serão reunidos em «ghettos».

26. Formação do Governo Polaco no exílio, em Londres e Paris. A Luftwaffe, a força aérea alemã, ataca a frota britânica na base de Scapa Flow.

28. Rendição de Varsóvia. O Tratado Russo-Alemão de Delimitação divide a Polónia. A Lituânia passa para a zona de influência soviética, em troca de alguns territórios polacos, já ocupados.

 

Outubro

8. A Alemanha anexa territórios polacos.

14. A Rússia apresenta um ultimato à Finlândia. O couraçado britânico Royal Oak é afundado em Scapa Flow pelo submarino alemão U-47, comandado pelo Capitão-Tenente Prien.

16. Expulsão das populações não-germânicas dos territórios polacos anexados pela Alemanha.

t< b>29. ob>Confä`ência5edtre Hitler e o Estado-Maior sobre a campanha a Ocidente, onde se aprova o primeiro plano de operações de ataque a Ocidente, com o nome de código Fall Gelg - Caso Amarelo.

 

Novembro

4. O Congresso dos Estados Unidos revoga a legislação que impedia o governo federal de vender material de guerra a países beligerantes.

8. Atentado à bomba contra Hitler, em Munique.

30. O Exército vermelho invade a Finlândia. O marechal Mannerheim dirige a defesa finlandesa.

 

Dezembro

13. Batalha do Rio da Prata, entre o couraçado alemão Graf Spee e o grupo de cruzadores britânico do Atlântico Sul. O navio de guerra alemão fundeou em Montevideu, sendo obrigado a abandonar o porto três dias mais tarde. O navio alemão foi afundado pela sua própria tripulação no dia 17 de Dezembro.

14.

Em Portugal:
O Decreto-Lei n.º 30.137 atribui ao governo, às estruturas corporativas e aos organismos de coordenação económica competências alargadas em matéria de fixação de preços e definição de quotas de distribuição de alguns produtos a importar ou destinados à exportação.
O governo pretende preservar o país das repercussões negativas a Guerra e potenciar as suas «consequências positivas».

 

 

Fonte principal:

Peter Young (editor)
World War II,
Londres, Orbis, 1974 (ed.original, 1966)

António Augusto Simões Rodrigues, 
História comparada. Portugal, Europa e o Mundo: Uma visão cronológica,
Lisboa, Temas & Debates, 1997

HipyReis@clix.pt

 

Álvaro de Campos          (Depois de ler seu drama estático "O marinheiro" em "Orfeu I") 


Álvaro de Campos

 

  José Nogueira dos Reis - A Fernando Pessoa - Espera-se que o professor desenvolva no seu aluno, em primeiro lugar, o homem de entendimento, depois, o homem de razão, e, finalmente, o homem de instrução. Este procedimento tem esta vantagem: mesmo que, como acontece habitualmente, o aluno nunca alcance a fase final, terá mesmo assim beneficiado da sua aprendizagem. Terá adquirido experiência e ter-se-á tornado mais inteligente, se não para a escola, pelo menos para a vida.Se invertermos este método, o aluno imita uma espécie de razão, ainda antes de o seu entendimento se ter desenvolvido. Terá uma ciência emprestada que usa não como algo que, por assim dizer, cresceu nele, mas como algo que lhe foi dependurado. A aptidão intelectual é tão infrutífera como sempre foi. Mas ao mesmo tempo foi corrompida num grau muitíssimo maior pela ilusão de sabedoria. É por esta razão que não é infrequente deparar-se-nos homens de instrução (estritamente falando, pessoas que têm estudos) que mostram pouco entendimento. É por esta razão, também, que as academias enviam para o mundo mais pessoas com as suas cabeças cheias de inanidades do que qualquer outra instituição pública.[...] Em suma, o entendimento não deve aprender pensamentos mas a pensar. Deve ser conduzido, se assim nos quisermos exprimir, mas não levado em ombros, de maneira a que no futuro seja capaz de caminhar por si, e sem tropeçar.A natureza peculiar da própria filosofia exige um método de ensino assim. Mas visto que a filosofia é, estritamente falando, uma ocupação apenas para aqueles que já atingiram a maturidade, não é de espantar que se levantem dificuldades quando se tenta adaptá-la às capacidades menos exercitadas dos jovens. O jovem que completou a sua instrução escolar habituou-se a aprender. Agora pensa que vai aprender filosofia. Mas isso é impossível, pois agora deve aprender a filosofar. [...] Para que pudesse aprender filosofia teria de começar por já haver uma filosofia. Teria de ser possível apresentar um livro e dizer: "Veja-se, aqui há sabedoria, ab 

 

     (Depois de ler seu drama estático "O marinheiro" em "Orfeu I") 
 
       Depois de doze minutos  
       Do seu drama O Marinheiro,  
       Em que os mais ágeis e astutos  
       Se sentem com sono e brutos,  
       E de sentido nem cheiro,  
       Diz rima das veladoras  
       Com langorosa magia  
       De eterno e belo há apenas o sonho.  
       Por que estamos nós falando ainda?  

                                         Ora isso mesmo é que eu ia  
                                         Perguntar a essas senhoras...  

Este Poema, foi escrito por Fernando Pessoa

José Nogueira dos Reis

 

06/05/2002

Não somos pálidos descontentes

Vivendo num desânimo fatal

Nós somos Hipies persistentes

E o amor é o nosso ideal

II

Cada um ter o que deseja

É que é pura felicidade

E nós hipies o que queremos

É paz, amor e liberdade

III

Por aqui ou por ali, onde andamos

Somos alvo de contestações

E nós próprios protestamos

Contra guerras hipocrisias e prisões

IV

Foste tu oh Jesus

Foste Tu o primeiro

E só Tu é que Foste

Um hipie verdadeiro

V

Há quem diga que pertencemos

A uma nova sociedade

Será pelo facto de querermos?

Paz, amor e liberdade?

Escrito em Maio/Junho de 197 em Alijó. 

 

 

     Aprender a Aprender. José Nogueira dos Reis - Espera-se que o professor desenvolva no seu aluno, em primeiro lugar, o homem de entendimento, depois, o homem de razão, e, finalmente, o homem de instrução. Este procedimento tem esta vantagem: mesmo que, como acontece habitualmente, o aluno nunca alcance a fase final, terá mesmo assim beneficiado da sua aprendizagem. Terá adquirido experiência e ter-se-á tornado mais inteligente, se não para a escola, pelo menos para a vida.

 

 

 


O Ensino do Pensar
Immanuel Kant

Espera-se que o professor desenvolva no seu aluno, em primeiro lugar, o homem de entendimento, depois, o homem de razão, e, finalmente, o homem de instrução. Este procedimento tem esta vantagem: mesmo que, como acontece habitualmente, o aluno nunca alcance a fase final, terá mesmo assim beneficiado da sua aprendizagem. Terá adquirido experiência e ter-se-á tornado mais inteligente, se não para a escola, pelo menos para a vida.

Se invertermos este método, o aluno imita uma espécie de razão, ainda antes de o seu entendimento se ter desenvolvido. Terá uma ciência emprestada que usa não como algo que, por assim dizer, cresceu nele, mas como algo que lhe foi dependurado. A aptidão intelectual é tão infrutífera como sempre foi. Mas ao mesmo tempo foi corrompida num grau muitíssimo maior pela ilusão de sabedoria. É por esta razão que não é infrequente deparar-se-nos homens de instrução (estritamente falando, pessoas que têm estudos) que mostram pouco entendimento. É por esta razão, também, que as academias enviam para o mundo mais pessoas com as suas cabeças cheias de inanidades do que qualquer outra instituição pública.

[...] Em suma, o entendimento não deve aprender pensamentos mas a pensar. Deve ser conduzido, se assim nos quisermos exprimir, mas não levado em ombros, de maneira a que no futuro seja capaz de caminhar por si, e sem tropeçar.

A natureza peculiar da própria filosofia exige um método de ensino assim. Mas visto que a filosofia é, estritamente falando, uma ocupação apenas para aqueles que já atingiram a maturidade, não é de espantar que se levantem dificuldades quando se tenta adaptá-la às capacidades menos exercitadas dos jovens. O jovem que completou a sua instrução escolar habituou-se a aprender. Agora pensa que vai aprender filosofia. Mas isso é impossível, pois agora deve aprender a filosofar. [...] Para que pudesse aprender filosofia teria de começar por já haver uma filosofia. Teria de ser possível apresentar um livro e dizer: «Veja-se, aqui há sabedoria, aqui há conhecimento em que podemos confiar. Se aprenderem a entendê-lo e a compreendê-lo, se fizerem dele as vossas fundações e se construírem com base nele daqui para a frente, serão filósofos». Até me mostrarem tal livro de filosofia, um livro a que eu possa apelar, [...] permito-me fazer o seguinte comentário: estaríamos a trair a confiança que o público nos dispensa se, em vez de alargar a capacidade de entendimento dos jovens entregues ao nosso cuidado e em vez de os educar de modo a que no futuro consigam adquirir uma perspectiva própria mais amadurecida, se em vez disso os enganássemos com uma filosofia alegadamente já acabada e cogitada por outras pessoas em seu benefício. Tal pretensão criaria a ilusão de ciência. Essa ilusão só em certos lugares e entre certas pessoas é aceite como moeda legítima. Contudo, em todos os outros lugares é rejeitada como moeda falsa. O método de instrução próprio da filosofia é zetético, como o disseram alguns filósofos da antiguidade (de zhtein). Por outras palavras, o método da filosofia é o método da investigação. Só quando a razão já adquiriu mais prática, e apenas em algumas áreas, é que este método se torna dogmático, isto é, decisivo. Por exemplo, o autor sobre o qual baseamos a nossa instrução não deve ser considerado o paradigma do juízo. Ao invés, deve ser encarado como uma ocasião para cada um de nós formar um juízo sobre ele, e até mesmo, na verdade, contra ele. O que o aluno realmente procura é proficiência no método de reflectir e fazer inferências por si. E só essa proficiência lhe pode ser útil. Quanto ao conhecimento positivo que ele poderá talvez vir a adquirir ao mesmo tempo -- isso terá de ser considerado uma consequência acidental. Para que a colheita de tal conhecimento seja abundante, basta que o aluno semeie em si as fecundas raízes deste método.

Immanuel Kant
Este Texto foi Extraído de:
«
Anúncio do Programa do Semestre de Inverno de 1765-1766» da colectânea de textos Theoretical Philosophy, 1755-1770 (edição de David Walford e Ralf Merbote, Cambridge University Press, 1992), pp. 2:306-7.

Terça-feira, 16 de Julho de 2002

José Nogueira dos Reis


 

 

 

 

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